Conselho de Ética: aliados manobram para manter caso Cunha na estaca zero

Aliados do peemedebista no Conselho de Ética conseguem estender reunião do colegiado com discussões regimentais. Início da Ordem do Dia interrompeu os trabalhos

Após mais de três horas de discussão, o Conselho de Ética encerrou mais uma reunião sem votar o parecer do relator Marcos Rogério (PDT-RO) no processo que ameaça o mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mesmo com o encerramento da discussão sobre o parecer, aliados do peemedebista laçaram mão de diversos artifícios para prolongar ao máximo a discussão até o início da Ordem do Dia.

Requerimento de inversão de pauta, adiamento, apresentação de inúmeras questões de ordem, discussões regimentais e até mesmo leitura de nota de repúdio. Foram vários os recursos utilizados para evitar a votação do parecer – que recebeu voto favorável do relator.

O primeiro deles foi o requerimento de inversão de pauta. Isso porque o segundo item previsto era a discussão do parecer preliminar do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) sobre a representação contra o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), de autoria do PSD. Por 12 votos a 5 o requerimento foi rejeitado pelo Plenário do colegiado.

O segundo artifício foi a apresentação de uma série de questões de ordem e discussões regimentais. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) lembrou que a análise da representação contra Cunha pelo colegiado se arrasta há quatro meses. Parlamentares do PT, PSDB, DEM, PSB e PRB já se declararam favoráveis à continuidade do processo contra o presidente da Casa. “O deputado Eduardo Cunha precisa vir aqui dar explicações. Estamos chegando num momento que não dá mais para protelar”, observou o líder do Psol, Ivan Valente (SP).

Já Wladimir Costa (SD-PA) disse que continuará “combatendo a satanização dos companheiros que supostamente votam favoravelmente a Cunha”. O deputado também leu uma nota de repúdio ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), que teria desrespeitado um servidor que auxilia parlamentares aliados do presidente da Casa nas questões regimentais.

O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, argumentou que o peemedebista estaria sendo privado de seu direito de defesa prévia, ou seja, antes da votação do parecer sobre a continuidade do processo. O advogado também sustentou que não há provas que justifiquem a cassação do mandato de seu cliente.

Com o início da Ordem do Dia, a reunião foi suspensa. O presidente informou que a sessão será retomada após o encerramento dos trabalhos do Plenário, que costumam a se estender pela noite quando há matérias polêmicas em discussão. O mais provável, nesse sentido, é que o colegiado só volte a se reunir amanhã (quarta, 2), às 9h30.

Como a etapa de discussão do parecer já foi encerrada, e, além disso, o próprio relator e a defesa já se pronunciaram, o caminho fica livre para a votação. No entanto, quatro requerimentos de adiamento apresentados por aliados de Cunha devem ser apreciados antes. Se forem rejeitados, o parecer será enfim votado, porém, se a chamada “tropa de choque” do presidente da Câmara for vitoriosa, o processo permanece estagnado.

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