Congresso em Foco: 11 anos de jornalismo para mudar

No ar desde 12 de fevereiro de 2004, site revelou a farra das passagens, os processos contra parlamentares no STF, os supersalários de servidores do Congresso e muitas outras histórias

Amauri Ploteixa
O Congresso em Foco comemora, nesta quinta-feira (12), 11 anos de existência e de compromisso com o papel de fiscalizar, de maneira independente, as ações do poder público, sobretudo o Legislativo federal. A íntegra do depoimento explosivo de um juiz preso acusado de vender sentenças deu início à história do site em 12 de fevereiro de 2004. Milhares de reportagens e artigos depois, mantemos o propósito de retratar com fidelidade os fatos e prestar serviço à sociedade. Jornalismo para mudar – este é o nosso lema.

Conciliando a cobertura factual do noticiário político com a publicação de reportagens de fôlego, levantamentos exclusivos e um cardápio variado de articulistas e colaboradores, o Congresso em Foco vê sua audiência crescer a cada ano. Em 2014, por exemplo, registramos um aumento de 50% nos acessos em relação a 2013. Um salto que pode ser atribuído a diversos fatores, como o maior interesse das pessoas pela política em ano eleitoral e à expansão no número de seguidores do site no Twitter e no Facebook – rede em que nossa presença aumentou quase quatro vezes de janeiro a dezembro.

No ano passado, além do número inédito de visitantes (mais de 6 milhões), também atingimos a maior audiência no intervalo de 30 dias (1,7 milhão de visitas feitas por 1,4 milhão de visitantes únicos entre 14 de setembro e 14 de outubro) e o maior número de acessos em um único dia, de acordo com o Google Analytics.

Das telas, o site expandiu para o papel, nas páginas de uma revista impressa, bimestral. Em circulação desde novembro de 2011, a Revista Congresso em Foco traz reportagens exclusivas e de fôlego sobre política, cultura, direitos humanos e outros assuntos que mexem com a vida do brasileiro.

Nos últimos 11 anos, acumulamos, além dos principais prêmios jornalísticos brasileiros, citações nos mais diversos veículos de comunicação, inclusive estrangeiros, como The EconomistThe New York TimesThe TimesWashington Post e BBC.

Levantamentos

Ainda em seus primeiros meses de existência, o Congresso em Foco foi pioneiro na imprensa brasileira ao publicar o primeiro levantamento sobre as investigações criminais contra deputados e senadores no Supremo Tribunal Federal (STF), o que se tornou uma das marcas do site e abriu caminho para a discussão que desaguou na criação da Lei da Ficha Limpa, válida desde as eleições de 2012. Na última pesquisa, divulgada em setembro de 2013, 224 parlamentares respondiam a inquéritos ou ações penais no Supremo. Mais de um terço do Congresso.

Outros levantamentos também passaram a ser feitos periodicamente pelo site, como o da assiduidade e o do uso da cota parlamentar, sempre na tentativa de dar maior transparência à atuação de deputados e senadores.

Farra das passagens

Foi na busca permanente desse objetivo que o Congresso em Foco jogou luzes sobre uma antiga prática dos congressistas: a de viajar Brasil e mundo afora com familiares, amigos e cabos eleitorais às custas do contribuinte brasileiro. Em 2009, revelamos em uma série de reportagens a chamada farra das passagens. O uso indiscriminado e abusivo da cota de passagens aéreas alcançava parlamentares de todos os partidos, do presidente da Câmara à época até os congressistas menos conhecidos. Uma lista mostrou quem voou para o exterior na cota de cada deputado, numa mistura de benevolência com o dinheiro alheio e comércio ilegal de créditos aéreos.

Diante da repercussão do caso, a Mesa Diretora das duas Casas teve de rever as regras, proibindo o transporte de parentes e as viagens internacionais e restringindo o benefício a parlamentares e assessores. Na época, a economia anunciada com a mudança nas normas passava dos R$ 25 milhões. Em 2013, a Câmara também mudou o cotão após o site revelar o descontrole nos gastos com o aluguel de veículos pelos congressistas. Estabeleceu-se um teto para esse tipo de despesa.

Prêmios

A farra das passagens também rendeu prêmios ao Congresso em Foco: o Embratel, de melhor reportagem investigativa – o primeiro concedido, nessa categoria, a um veículo da internet; e o Esso, de melhor contribuição à imprensa. Por três vezes, conquistamos o principal prêmio do jornalismo brasileiro na área de direitos humanos, o Vladimir Herzog: duas vezes com o site e uma com a revista.

A série “Jurados de morte: o drama de mais de 2 mil autoexilados no próprio país” revelou o drama de brasileiros que vivem sob a ameaça por causa de sua militância ou atuação profissional. Foi a vencedora do Herzog na categoria revista no ano passado.

Em 2008, o site conquistou a menção honrosa neste mesmo prêmio, na categoria internet, com uma reportagem que revelava o descaso das autoridades brasileiras com sobreviventes e familiares de um acidente que matou 14 catadores de feijão do Piauí, de um grupo de 79 trabalhadores mantidos em condições análogas à de escravo no interior da Bahia.

No ano seguinte, nova menção honrosa, desta vez com uma série de reportagens sobre o deputado padre Luiz Couto (PT-PB), ameaçado de morte pelo crime organizado e censurado pela Igreja Católica, por defender o uso do preservativo e o respeito aos homossexuais e criticar o celibato. Por causa das declarações ao site, o padre foi proibido de exercer o sacerdócio por um mês.

Supersalários

Em 2011, o Congresso em Foco começou outra série de reportagens que rende polêmica até hoje: a dos supersalários. Com base em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), à qual a reportagem teve acesso em primeira mão, quem eram e quanto realmente ganhavam os funcionários do Congresso com salários muito acima do permitido pela Constituição, superiores aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, hoje R$ 33,7 mil por mês.

O site ainda mostrou o problema entre parlamentares e também no Poder Executivo, no Judiciário e nos estados. As listas publicadas provocaram a reação de um grupo de servidores. Uma ofensiva judicial do sindicato dos funcionários do Congresso tentou obter R$ 1 milhão em indenizações por meio de 50 processos. Mas o Congresso em Foco ganhou todos os casos julgados – só restam três ações cíveis.

No final de 2013, por ordem do Tribunal de Contas da União, a Câmara e o Senado cortaram os salários recebidos além do permitido. Por causa da Lei de Acesso à Informação, esses dados passaram a ser públicos e divulgados, ainda que com algumas limitações, nas páginas das duas casas legislativas.

Prêmio

Desde 2006, promove anualmente o Prêmio Congresso em Foco, que distingue com o voto de jornalistas que cobrem o Parlamento e dos internautas, os parlamentares que melhor representam a população. Uma iniciativa que tem o propósito de discutir a atuação de cada parlamentar e obrigar o leitor a refletir, enxergar as diferenças entre eles, estimular aqueles que se destacam de maneira positiva e combater o discurso nocivo à democracia de que todos são igualmente ruins.

Congresso em Foco ainda produziu outros trabalhos importantes para compreender a política brasileira, como o livro O que esperar do novo Congresso: perfil e agenda da legislatura, lançado em 2007, em parceria com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Parceria renovada

Atento às mudanças por que passa a comunicação, o Congresso em Foco está presente nas redes sociais e comprometido com o público, não como mero receptor de informações, mas como um parceiro para captar a realidade e melhor avaliá-la.

Mudanças que só reforçam os princípios que norteiam nossa caminhada de fazer uma cobertura apartidária do Congresso Nacional e dos principais fatos políticos para auxiliar o (e)leitor a acompanhar o desempenho dos representantes eleitos, contribuindo para melhorar a qualidade da representação política no país. É nossa missão usar as melhores técnicas e ferramentas do jornalismo a serviço da mudança.

Por isso, o nosso lema é “jornalismo para mudar”. Por todos estes 11 anos de parceria e confiança, nosso muito obrigado a você, leitor.

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