Concurseiros preferem estudar à noite

Especialistas alertam que período noturno pode não ser o melhor momento para assimilar conteúdos

PAULA FURLAN
Especial para o SOS Concurseiro

Todo tempo livre é muito precioso para quem se preparar para concursos públicos. Afinal, o grande volume de conteúdos e disciplinas exige que o concurseiro se prepare no menor prazo possível. E a enquete feita na página do SOS Concurseiro no Facebook mostrou que a maioria dos candidatos prefere a madrugada para estudar. Entre os 120 que responderam à pergunta, 53% preferem estudar ou na madrugada ou à noite. Depois da meia-noite é o melhor horário para 38% deles.  No período noturno, 15%. Preferem estudar ou pela manhã ou à tarde 47%.

Para Camila Pieri, que pretende ingressar na Academia da Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo, estudar à noite é uma maneira de se livrar das distrações que acontecem durante o dia. “Prefiro usar a madrugada para os meus estudos porque já não há amigos online na internet, todos estão dormindo em casa, então preciso realmente me focar só naquilo”. Quando questionada se os estudos durante a noite têm a mesma eficácia, ela afirma que se sente um pouco mais cansada, mas, segundo a própria, “o sossego compensa o cansaço”.

De acordo com o médico André Felício, neurologista, doutor em ciências pela Unifesp, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clínico da University of British Columbia, no Canadá, assimilar novas informações requer várias funções cerebrais intactas, dentre elas atenção e memória. “Além disso, nosso ritmo circadiano influencia muito porque sabidamente existem aquelas pessoas com mais facilidade para realizar tarefas durante o dia ao invés de outros que têm desempenho melhor à noite", disse. "Logo, o conhecimento adquirido de madrugada dependerá destas variáveis, no nível de atenção a esta hora e do desempenho da memória para assimilar as informações.” Portanto,  como regra geral, a noite não seria o melhor período para o aprendizado.

Estudar durante a noite foi um problema para Rodrigo Andrade, professor da rede pública de São Paulo, quando assumiu seu cargo no ensino fundamental e médio. “Passei alguns meses trocando os dias pelas noites e meus estudos também eram realizados durante a madrugada. Quando precisei assumir as aulas, inicialmente no período da manhã, sofri por algumas semanas com severos problemas de sono, o que prejudicou minha concentração.”

Uma noite bem dormida é vital para o ser humano e faz toda a diferença para aqueles que estudam, defende a médica Ângela Beatriz, especialista em medicina do sono.  “Sem respeitar o período de descanso, não vai adiantar nada estudar horas, dias e meses, pois o cérebro não absorverá o conteúdo necessário para se fazer uma boa prova”, enfatiza Ângela.

Mas nem tudo é desvantajoso para quem prefere estudar à luz da lua. Segundo André Felício, a vantagem seria apenas utilizar um espaço a mais ou um tempo "extra" no dia para realizar mais uma tarefa, entre as tantas que realizamos durante o dia. “Por exemplo, as pessoas que trabalham oito horas durante o dia e estudam à noite até as 23h ou 24h. A desvantagem é que muitas vezes, justamente neste "terceiro turno", já estamos suficientemente cansados, desatentos, sem motivação e, pior, com sono. Desta maneira, o aprendizado é bastante limitado”, explica.

Cochilo a favor

O cochilo é uma experiência transcultural definida como uma interrupção da vigília durante o dia, ou seja, quando dormimos por um período curto, enquanto ainda há luz, ou no horário considerado "produtivo". É o que explica André Feliciano. Ele lembra que o cochilo é algo muito comum, fisiológico em recém-nascidos e crianças. Para tornar a pausa mais eficiente, o médico sugere que ela seja seguida de um copo de café com aproximadamente 200mg de cafeína. Isso ajudaria pessoas com dificuldade para enfrentar uma segunda ou terceira jornada de trabalho.

Segundo ele, o cochilo está relacionado a uma melhora do desempenho motor, do estado de vigília (alerta e atenção) e das funções cognitivas como consolidação de informações novas.  “A dica seria criar uma rotina que permitisse um cochilo de não mais do que 20 a 30 minutos entre o horário de trabalho e estudo", afirma Feliciano. "O cochilo funciona muito bem para o cérebro, tal como o botão 'restart' de um computador, ou seja, é como se estivéssemos bastante lentos com um desempenho ruim e apertando o botão do cochilo."

PARA ESPANTAR O SONO
Sugestões da médica Ângela Beatriz

• Atividade física é uma excelente recomendação para concurseiros, pois ajuda a liberar energia e equilibrar o organismo, porém, se esses exercícios forem praticados no período noturno, eles se tornarão um dos agentes causadores do mau sono;
• Dê uma atenção especial para o travesseiro e colchão. A escolha acertada fará toda a diferença para um sono calmo e tranquilo;
• Televisão, computadores, celulares e aparelhos do gênero não devem estar ligados ou serem usados na hora de dormir e principalmente no quarto. Eles estimulam o cérebro a manter a atenção, dificultando que você durma, pois emitem muita luz para os olhos e reduzem a melatonina, hormônio essencial para o sono;
• Alguns outros vilões são as dormidas na parte da tarde, bebidas alcoólicas, festas, ansiedade, estresse;
• O sono deve estar no seu cronograma diário, assim como qualquer outra atividade. Exemplos: Período da manhã: escola; 12h: almoçar; 15h: estudar português; 22h: dormir. Criar uma rotina deixa mais fácil não extrapolar nos estudos e colocar tudo a perder.

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