Comoção e grito contra a violência marcam adeus à vereadora Marielle Franco; veja os vídeos

 

A comoção e a resistência contra a violência deram o tom dos protestos de adeus à vereadora Marielle Franco, do Psol, quinta mais bem votada nas eleições para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 2016. Principalmente na capital fluminense, terra natal da parlamentar, lágrimas e punhos cerrados contra o crime foram a resposta possível, ao menos por enquanto, à barbárie que ceifou a vida de Marielle, mulher negra e criada na periferia, e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes. Nos vídeos abaixo, o Congresso em Foco registra um pouco do que aconteceu nesta quinta-feira (15).

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Em Brasília, no palco das decisões da Câmara, Marielle também esteve "presente" – a palavra de ordem "Marielle, presente!", aliás, foi uma das mais ouvidas e pungentes do dia. Em plenário, no início do dia de protestos e despedidas Brasil afora, o ato para homenagear a socióloga por formação registrou instantes memoráveis de emoção.

 

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Marielle gravada no arranha-céu: grito para a posteridade

 

Um exemplo foi o discurso de Luiza Erundina (Psol-SP), a experiente correligionária da vereadora. A intervenção da deputada de 83 anos, uma das mais antigas do Congresso, levou alguns dos presentes – inclusive servidores e repórteres que acompanharam a sessão – às lágrimas na sede do Legislativo federal.

"Não vão conseguir calar a voz da Marielle, que vai se reproduzir aos milhares e aos milhões por este país afora", diz a parlamentar, pouco antes da exibição de um vídeo com a vereadora. "Marielle, você está presente! Você não morre nunca!"

 

Veja a íntegra do ato (o discurso de Erundina tem início em 5:25):

 

Também teve luta e comoção em São Paulo. Na Avenida Paulista, cartão postal paulistano que já virou palco de movimentos cívicos de lado a lado, o discurso misturou dor e esperança. A tarde já caminhava para o entardecer quando Felipe, um colaborador do Congresso em Foco, espectador atento desta Pauliceia Desvairada, registrou em vídeo o misto de clamor e desabafo.

"A gente perdeu uma companheira combativa, feminista, que lutava pelas causas dos direitos humanos. Da favela, negra. Empoderada, representante de todas nós e todos nós. É necessários esse momento de dor e indignação. Mas, depois desse momento, a gente precisa ir para a luta", discursa nesta vídeo abaixo a moça e sua rosa amarela em uma das mãos. Rodeada de tristeza, solidariedade e revolta, mas também de muita vontade de resistir.

 

Veja:

 

Em outro instante, a verdade inafastável foi proferida por uma entre milhões de mulheres com o nó na garganta – e flor amarela nas mãos.

"Marielle ousou percorrer um caminho que não foi construído para mulheres como ela. Ela ousou sentar frente a frente com um bando de capitão do mato, com um bando de 'senhorzinhos', com um bando de fascistas, que são aqueles que ocupam boa parte das câmaras, das assembleias e dos espaços de poder deste país", bradou a moça, conciliando choro e discurso a plenos pulmões.

"Marielle foi assassinada porque tudo o que ela disse a vida inteira, ela tinha razão. Foi assassinada porque não se calou, porque sabia que existe milícia, crime organizado, mas que eles estão no Estado, no poder. A Marielle foi assassinada pelo Estado e pelo poder, a mando daqueles que não admitem ver uma mulher negra, favelada, no comando", acrescentou, também rodeada de mulheres de luta.

 

Assista:

 

Mais foi no Rio de Janeiro de Marielle que multidões se levantaram com o sotaque de quem sente na pele, no dia-a-dia da Cidade Maravilhosa, os tempos de horror na segurança pública. Em um Rio sob intervenção federal decretada no setor pelo presidente Michel Temer (MDB) – iniciativa reprovada pela própria vereadora, testemunha e vítima de uma realidade de desalento –, o que de fato interveio na rotina do carioca, ao menos nesta quinta-feira de cinzas, foi a força feminina.

 

Veja:

 

Por fim, imagens da multidão formada para receber o corpo de Marielle na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O vídeo abaixo fala por si:

 

 

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