Como senadores votaram na primeira medida do ajuste fiscal

Com alterações em benefícios como seguro-desemprego, matéria seguiu para sanção presidencial, mas deixou (ainda mais) cicatrizes na base aliada. E no próprio PT, em que três dos 13 senadores se rebelaram contra a orientação partidária

O governo respirou aliviadamente ao ver aprovada no Senado, nesta terça-feira (27), a cinco dias de perder a validade, a Medida Provisória 665/2014, que dispõe sobre mudanças no acesso de trabalhadores a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e seguro-defeso (compensação para pescadores em tempos de proibição de pesca para reprodução). Primeira das medidas do ajuste fiscal pretendido pelo governo, a matéria pode ter seguido para a sanção presidencial, mas deixou (ainda mais) cicatrizes na base aliada – e no próprio PT, em que três dos 13 senadores da legenda se rebelaram contra a orientação de bancada e contrariaram as pretensões da equipe econômica da presidenta Dilma Rousseff: Lindbergh Farias (RJ), Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA). O mais insatisfeito entre eles, Paim chegou a anunciar, no calor do plenário, que deve pedir licença do mandato.

Senado aprova primeira medida do ajuste fiscal

A oposição votou quase toda contra a medida, mas houve dissidências em relação à orientação partidária também entre os oposicionistas. Entre os 12 senadores do PSDB, Lúcia Vânia (GO) foi a única tucana a votar a favor da medida. Substituindo Lúcia no papel de oposicionista, Roberto Requião (PR) também se insurgiu dentro do PMDB – principal partido da base aliada e parceiro rebelde do PT no Congresso – e votou contra a medida.

Ao todo, votaram 72 dos 81 senadores, 39 a favor e 32 contra a matéria, sem abstenções. O voto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não foi computado para efeitos práticos, por imposição regimental (artigo 17), mas sabe-se que o parlamentar alagoano votaria contra a medida caso fosse instado, eventualmente, a desempatar a votação. Mais novo oposicionista ao governo Dilma, Renan tem criticado recorrentemente o ajuste fiscal e suas medidas, chegando a classificá-lo como "capenga" e "trabalhista".

Confira como votaram os senadores:

Acir Gurgacz (PDT-RO) –  SIM

Aécio Neves (PSDB-MG) – NÃO

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) – NÃO

Ângela Portela (PT-RR) – SIM

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) – NÃO

Ataídes Oliveira (PSDB-TO) – NÃO

Benedito de Lira (PP-AL) – SIM

Blairo Maggi (PR-MT) – SIM

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – NÃO

Ciro Nogueira (PP-PI) – SIM

Cristovam Buarque (PDT-DF) – NÃO

Dalirio Beber (PSDB-SC) – NÃO

Dário Berger (PMDB-SC) – SIM

Davi Alcolumbre (DEM-AP) – NÃO

Delcídio do Amaral (PT-MS) – SIM

Donizeti Nogueira (PT-TO) – SIM

Douglas Cintra (PTB-PE) – SIM

Edison Lobão (PMDB-MA) – SIM

Eduardo Amorim (PSC-SE) – NÃO

Elmano Férrer (PTB-PI) – NÃO

Eunício Oliveira (PMDB-CE) – SIM

Fátima Bezerra (PT-RN) – SIM

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) – SIM

Fernando Collor (PTB-AL) – NÃO

Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – NÃO

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) – SIM

Gleisi Hoffmann (PT-PR) – SIM

Hélio José (PSD-DF) – SIM

Humberto Costa (PT-PE) – SIM

Ivo Cassol (PP-RO) – SIM

Jader Barbalho (PMDB-PA) – SIM

João Alberto Souza (PMDB-MA) – SIM

João Capiberibe (PSB-AP) – NÃO

Jorge Viana (PT-AC) – SIM

José Agripino (DEM-RN) – NÃO

José Medeiros (PPS-MT) – NÃO

José Pimentel (PT-CE) – SIM

José Serra (PSDB-SP) – NÃO

Lídice da Mata (PSB-BA) – NÃO

Lindbergh Farias (PT-RJ) – NÃO

Lúcia Vânia (PSDB-GO) – SIM

Magno Malta (PR-ES) – NÃO

Marcelo Crivella (PRB-RJ) – NÃO

Marta Suplicy (sem partido-SP) – NÃO

Omar Aziz (PSD-AM) – SIM

Otto Alencar (PSD-BA) – SIM

Paulo Bauer (PSDB-SC) – NÃO

Paulo Paim (PT-RS) – NÃO

Paulo Rocha (PT-PA) – SIM

Raimundo Lira (PMDB-PB) – SIM

Randolfe Rodrigues (Psol-AP) – NÃO

Regina Sousa (PT-PI) – SIM

Reguffe (PDT-DF) – NÃO

Ricardo Ferraço (PMDB-ES) – NÃO

Roberto Requião (PMDB-PR) – NÃO

Roberto Rocha (PSB-MA) – SIM

Romário (PSB-RJ) – NÃO

Romero Jucá (PMDB-RR) – SIM

Ronaldo Caiado (DEM-GO) – NÃO

Rose de Freitas (PMDB-ES) – SIM

Sandra Braga (PMDB-AM) – SIM

Sérgio Petecão (PSD-AC) – NÃO

Simone Tebet (PMDB-MS) – SIM

Tasso Jereissati (PSDB-CE) – NÃO

Telmário Mota (PDT-RR) – SIM

Valdir Raupp (PMDB-RO) – SIM

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) – SIM

Vicentinho Alves (PR-TO) – SIM

Waldemir Moka (PMDB-MS) – SIM

Walter Pinheiro (PT-BA) – NÃO

Wellington Fagundes (PR-MT) – SIM

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