Comandante do Exército desautoriza general a falar sobre intervenção militar

 

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, divulgou nota (veja a íntegra abaixo) em que desautoriza o general Antônio Hamilton Martins Mourão e qualquer outro militar a falar pela instituição. Mourão defendeu a possibilidade de intervenção militar contra o caos político no país, diante de uma falta de solução na Justiça e na política.

No comunicado à imprensa, divulgado após encontro com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, Villas Bôas se utiliza de uma mensagem cifrada para dar o recado. Sem fazer referência ao termo “intervenção militar”, o general afirma que o seu  compromisso à frente do Exército é “servir à Nação Brasileira, com os olhos voltados para o futuro”.

Villas Bôas conta que apresentou a Raul Jungmann, em reunião ontem (21), as circunstâncias do fato e as providências adotadas por ele em relação ao “episódio envolvendo o general Mourão” para “assegurar a coesão, a hierarquia e a disciplina”. Ele não especificou, porém, que “providências” foram essas. Na noite de quarta-feira, durante entrevista ao jornalista Pedro Bial, da TV Globo, o general descartou punir o colega por suas declarações.

Jungmann anunciou na segunda-feira que cobraria explicações do comandante do Exército a respeito das declarações de Mourão em palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, na sexta passada. “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então teremos que impor isso”, disse o general na ocasião.

Mourão afirmou que os militares fizeram juramento de “compromisso com a pátria”, independentemente de serem “aplaudidos ou não”. “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver, haverá.”

Ainda no fim de semana, Villas Bôas tentou minimizar os efeitos das declarações do subordinado. De acordo com o comandante do Exército, as Forças Armadas reafirmam constantemente seu compromisso de pautar suas ações na legalidade, estabilidade e legitimidade.

Essa não é, porém, a primeira vez que o general se envolve nesse tipo de polêmica. Em 2015, Mourão perdeu o Comando Militar do Sul e foi transferido para a Secretaria de Economia e Finanças, após ter defendido a intervenção militar contra a crise política e as denúncias de corrupção no governo Dilma.

O ministro da Defesa diz que esse tipo de discurso não será tolerado em sua gestão. “As Forças Armadas estão absolutamente subordinadas aos princípios constitucionais, à democracia, ao estado de direito e ao respeito aos Poderes constituídos”, ressaltou o ministro da Defesa. “Há um clima de absoluta tranquilidade e observância aos princípios de disciplina e hierarquia constitutivos das Forças Armadas, que são um ativo democrático de nosso país”, acrescentou.

Na terça, o general quatro-estrelas da reserva Augusto Heleno, o primeiro comandante da Força de Paz do Brasil no Haiti, publicou nota de desagravo a Mourão. “É preocupante o descaramento de alguns políticos, indiciados por corrupção e desvio de recursos públicos, integrantes da quadrilha que derreteu o País, cobrando providências contra um cidadão de reputação intocável, com 45 anos de serviços dedicados à Pátria”, escreveu Heleno. “Aconselho que, pelo menos, se olhem no espelho da consciência e da vergonha”, emendou em texto publicado no Facebook.

Veja a íntegra da nota de esclarecimento do Exército:

“Com relação ao episódio veiculado em mídia que envolveu o General de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão, o Comandante do Exército, General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, informa:

1. O Exército Brasileiro é uma instituição comprometida com a consolidação da democracia em nosso País.

2. O Comandante do Exército é a autoridade responsável por expressar o posicionamento institucional da Força e tem se manifestado publicamente sobre os temas que considera relevantes.

3. Em reunião ocorrida no dia de ontem, o Comandante do Exército apresentou ao Sr. Ministro da Defesa, Raul Jungmann, as circunstâncias do fato e as providências adotadas em relação ao episódio envolvendo o General Mourão, para assegurar a coesão, a hierarquia e a disciplina.

4. O Comandante do Exército reafirma o compromisso da Instituição de servir à Nação Brasileira, com os olhos voltados para o futuro.

Atenciosamente,

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO
EXÉRCITO BRASILEIRO
BRAÇO FORTE - MÃO AMIGA”

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