Com menor nível em reservatórios da história, DF estuda aumentar tarifa d’água

Segundo Agência Reguladora, autoridades cogitam reajuste de até 20% nas tarifas, além de racionamento forçado, caso consumo não diminua e chuvas demorem a cair no Planalto Central. Restrições de abastecimento já estão em curso em algumas localidades

Gabriel Pontes/Congresso em Foco
O nível dos principais reservatórios de água do Distrito Federal (Descoberto e Santa Maria) chegou ao menor percentual desde 1987, ano em que começou a ser medido. As bacias são responsáveis pelo abastecimento de 85% da população do Planalto Central. A Barragem do Descoberto, localizada a cerca de 70 km do centro de Brasília, está com apenas 40% do volume útil de água, enquanto o reservatório de Santa Maria (cerca de 40 km do centro) tem cerca de 50%, por exemplo.

O Distrito Federal já decretou estado de situação crítica devido à crise hídrica. Em estado de alerta, já é autorizado pelo governo o aumento das tarifas nos medidores, assim como está acontecendo no estado do Ceará. Segundo o diretor presidente da Agência Reguladora de Águas do DF (Adasa), porém, a chamada "tarifa de contingência", só será adotada se fatores como o comportamento da população e a chuva não colaborarem. Aumento na conta pode chegar a 20% se a situação não melhorar.

Confira as dicas para economizar água

Por outro lado, se o aumento das cotas pode estar próximo, o desconto para os cidadãos que diminuírem o uso também está sendo estudada. "É um tópico que depende de vários fatores, mas que não é descartado visto que estamos vivendo uma situação excepcional", afirma Paulo Salles.

Comparado com outros períodos de estiagem que atingiram estados brasileiros, como em São Paulo e Ceará, Salles diz que as situações são diferentes, mas igualmente graves. "Nosso racionamento em toda a cidade ainda não começou. Fizemos apenas a interrupção do serviço por algum tempo até reservatórios menores voltarem à normalidade", explica. "Por enquanto procuramos solucionar os problemas pontualmente, mas caso não houver ajuda da população teremos que tomar medidas mais enfáticas", conclui. O risco do racionamento foi antecipado pela Revista Congresso em Foco ainda no primeiro semestre do ano.

Cultura do desperdício

Segundo a Adasa, além do uso industrial e agrícola da água, a cultura do desperdício fruto da abundância que o brasileiro sempre teve da água, é outro grande problema para o nível dos reservatórios. "A dica é economizar. Mudar a cultura e termos consciência de que a água é finita", alerta Salles. A tarefa torna-se ainda mais difícil pelo período do ano. Normalmente, no DF, os meses de outubro, novembro e dezembro são os de maiores consumo de água – também devido às altas temperaturas. Nos últimos dois dias, sete regiões do DF tiveram o abastecimento suspenso para que os níveis dos reservatórios fossem restabelecidos.

Para tentar solucionar o problema, o governador Rodrigo Rollemberg pediu ajuda para o governo federal. Os recursos da União para conclusão das obras para reforçar o sistema hídrico devem ser antecipados. Estão em curso, portanto, a obra do reservatório de Corumbá IV, que deve começar a funcionar em 2018; a reserva do Paranoá (em fase de licitação) e o sistema de captação Bananal, cujas obras vão começar na semana que vem e devem ser concluídas no final de 2017.

A melhor saída, porém, é a conscientização da população. Atividades como trocar água de piscina, lavar calçada e aguar jardim devem ser evitadas ao máximo. "Ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos anos, mas as variações de temperatura tendem a se agravar, e não a melhorar. Portanto, precisamos de uma nova atitude com relação à água", alerta Salles.

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