Com 13 empresas, Cachoeira abriu off-shore nas Ilhas Virgens

Delegado da PF afirma à CPI que ações de busca e apreensão identificaram empresas do bicheiro no Caribe. Próximo passo da PF é investigar a Delta

O delegado da Operação Monte Carlo, Matheus Mella Rodrigues, disse na quinta-feira (10) aos parlamentares da CPI do Cachoeira, que o contraventor Carlos Augusto Ramos tinha 13 empresas para movimentar seu esquema de jogos ilegais, uma delas nas Ilhas Virgens Britânicas. A comissão investiga as ligações do bicheiro Carlos Cachoeira com políticos, como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e empresas com contratos com governos, como a empreiteira Delta.

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Nas ações de busca e apreensão, realizadas em 29 de fevereiro, a PF deparou com uma empresa chamada Souza Ramos Corporation. “Essa empresa foi identificada agora nas ações de busca. Essa empresa é organizada e existente sob as leis das Ilhas Virgens Britânicas”, revelou o delegado aos parlamentares da CPI.

A atuação dessa empresa específica ainda é apurada pela CPI. Cachoeira tinha 13 empresas, mas as principais, usadas para receber dinheiro da construtora Delta, eram a Alberto & Pantoja, a Brava Construções e a JR.

Nas ilhas Curaçao, no Caribe, havia outra empresa, que sediava o site Brazilbingo. Trata-se de um paraíso fiscal. Entre as empresas, ainda há a Bet Capital Ltda, a Electrochance, e o laboratório Vitapan, em Anápolis. Uma empresa de importação de carros era usada, aparentemente, para lavar dinheiro, informou o delegado.

Próximo passo: Delta

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Matheus defendeu a quebra de sigilo de todas essas empresas para aprofundar a investigação do caso. Ele e outros parlamentares disseram que o próximo passo da Polícia Federal será investigar a empreiteira Delta, de propriedade de Fernando Cavendish. O contador Geovani Pereira da Silva era testoureiro de Cachoeira e também do diretor da Delta no Centro-oeste, Cláudio Abreu. Por isso, os parlamentares suspeitam que o bicheiro seja mesmo sócio de Cavendish na empreiteira.

Matheus disse que muitas provas ainda estão sendo encaminhadas à 11ª Vara Federal de Goiânia. Aquelas que têm relação com político com foro privilegiado, como parlamentares e governadores, estão sendo remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o delegado, 11 dos melhores analistas da PF estão debruçados sobre 28 malotes apreendidos nas ações de busca e apreensão deflagradas no dia da Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Naquele dia, a polícia apreendeu por exemplo, R$ 1,4 milhão em reais, dólares, euros, além de jóias e relógios, computadores, pen drives, CDs e DVDs.

Nos 28 malotes, há cerca de 150 mídias digitais. Analisados superficialmente primeiro, o conteúdo destes computadores e dispositivos eletrônicos de armazenamento já foi copiado para os computadores dos peritos. Agora, eles vão fazer uma leitura mais profunda, informou Matheus Rodrigues à CPI.

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