CNJ pedirá proteção ao novo juiz do caso Cachoeira

O ex-responsável pela Operação Monte Carlo, Paulo Moreira Lima, continuará com esquema de proteção. Alderico Rocha, que agora cuida do caso, também terá sistema especial de segurança

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai pedir à Polícia Federal para proteger os juízes envolvidos com o inquérito da Operação Monte Carlo, investigação que resultou na prisão de 82 pessoas envolvidas com o jogo ilegal em Goiás. Entre elas, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e policiais civis e militares goianos. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (20) pela corregedora-nacional de Justiça, Eliana Calmon, após reunião em Brasília.

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Depois de reunião, Eliana Calmon afirmou que serão garantidas as medidas de segurança ao juiz Paulo Augusto Moreira Lima, que se disse ameaçado, de forma velada, por policiais. Ele deixou o comando da 11ª Vara Federal de Goiás. Eliana Calmon afirmou ainda que seu substituto no trabalho, o juiz da 5ª Vara, Alderico Rocha, também terá garantias de segurança para continuar a instrução do processo. Cachoeira e sua quadrilha foram presos e denunciados por crimes como corrupção ativa, formação de quadrilha armada e violação de sigilo funcional.

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Hoje, a corregedora se reuniu com Moreira Lima e com seu colega de Vara, o juiz Leão Aparecido Alves. Ele reafirmou estar impedido de cuidar do caso porque é amigo de um dos investigados, o aliado de Cachoeira José Olímpio de Queiroga. A reunião contou também com o presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Nino Toldo, e com o ex-corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) Cândido Ribeiro. O atual ocupante do cargo, Carlos Olavo, estava fora de Brasília. Conselheiros do CNJ também estiveram presentes ao encontro.

Eliana Calmon disse que Moreira Lima não deixou o caso por medo, mas por estar "extenuado" e com muita exposição pela repercussão da investigação, que começou atingindo criminosos que exploram máquinas caça-níqueis e revelou ligações do bicheiro com políticos de renome nacional. O juiz chegou a requisitar mais segurança ao TRF 1 antes da ordem das prisões da Operação Monte Carlo, mas depois pediu para diminuir o esquema de proteção. "Ele abriu mão da escolta ostensiva", disse Eliana Calmon.

Nino Toldo disse ao Congresso em Foco que se discutiu na reunião o projeto de lei que garante aos juízes poderem instruir um caso com até mais dois colegas, quando houver prática de delitos feitos por organização criminosa. Ele afirmou que isso evita a superexposição do juiz, que teria a mesma divisão de tarefas usada por delegados e procuradores da Répública.

Segundo ele, a ministra Eliana Calmon disse que apoiaria a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados. Toldo disse que Moreira Lima ficou mais tranquilo ao deixar a reunião. "Ele saiu reconfortado", descreveu. Moreira Lima e Leão Aparecido não quiseram conceder entrevistas.

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