CNBB dá “cartão vermelho” para “inversão de prioridades” na Copa

Pastoral do Turismo, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, distribui panfleto em que condena gastos públicos com o Mundial e cobra das autoridades brasileiras respeito aos direitos dos excluídos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou a distribuir panfletos em que critica a “inversão de prioridades” no uso do dinheiro público na organização da Copa do Mundo. O material, assinado pela Pastoral do Turismo, está sendo espalhado nas 12 cidades que vão receber jogos do Mundial da Fifa. Publicados em português, espanhol e inglês, os folhetos listam oito pontos que, segundo a entidade, merecem “cartão vermelho”. Além do questionamento sobre a aplicação dos recursos públicos, a CNBB também condena a remoção de famílias e comunidades para a construção de obras dos estádios ou de mobilidade, a apropriação do esporte por entidades privadas e grandes corporações e o desrespeito sistemático à legislação ambiental, trabalhista e do consumidor.

 

Na avaliação da pastoral, a organização do Mundial aprofundou as desigualdades urbanas e a degradação ambiental. O panfleto também critica a “exclusão de milhões de cidadãos ao direito à informação e à participação nos processos decisórios sobre as obras que foram realizadas para a Copa”.

Ao lado do “cartão vermelho”, a CNBB lista o que seria “o gol da vitória” para os brasileiros durante a Copa. Para que todos saiam vitoriosos, destaca o panfleto, é necessário que algumas exigências fundamentais sejam cumpridas, como a garantia de que a população de bairros populares e moradores de rua tenham direito de permanecer em suas localidades.

Entre as seis reivindicações, estão o respeito à legislação trabalhista e à proteção dos trabalhadores, a não perseguição de quem estiver trabalhando em espaço público, a adoção de medidas eficazes de combate ao trabalho escravo, ao tráfico humano e à exploração sexual, principalmente de crianças e adolescentes. A pastoral pede o fim da criminalização dos movimentos sociais e o respeito ao livre direito de manifestação durante o Mundial.

No texto, a Igreja Católica também assume compromissos, como “acompanhar torcedores e jogadores, nas suas demandas por momentos de espiritualidade e encontro com Deus, bem como ser presença orante durante toda a Copa”. A pastoral se compromete a fiscalizar a eventual retirada de pessoas que vivem nas ruas e sua posterior devolução após o megaevento esportivo.

Leia mais sobre a Copa do Mundo

Nosso jornalismo precisa da sua assinatura

Continuar lendo