Checando Marcelo Crivella e os fichas sujas do PRB

“PRB, 10 anos de prática ilesa da democracia! (...) Sem mácula, sem malícia, sem ambições desvairadas, sem corrupção! (...) Hoje o nosso partido pode se apresentar ao Brasil como um partido ficha limpa, que não tem medo do povo.” – Marcelo Crivella (PRB-RJ), senador, no plenário, em sessão solene de homenagem ao PRB na Câmara, na terça-feira (25)

O PRB não pode dizer que é um partido “sem máculas”. Na última eleição, pelo menos cinco candidatos a deputado federal e um a deputado estadual da legenda foram impedidos de se candidatar por terem sido enquadrados na Lei da Ficha Limpa.

Foram barrados o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (MG), condenado por irregularidades no processo seletivo de funcionários da Secretaria de Saúde e na contratação de empresa de publicidade sem licitação, entre outras, na época em que era prefeito de Uberaba; Orlando Palheta Lobato (PA), que teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará quando dirigia a Federação dos Pescadores do Pará; Roberto Ramalho Tavares (SP), ex-prefeito de Itapetininga (SP); Ronaldo Resende Ribeiro, ex-prefeito de Oliveira (MG); Rubens Sanchez Proença (SP), condenado por estelionato; e Zé Carlos da Pesca (BA), que teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia por irregularidades, quando era gestor da Federação dos Pescadores do Estado da Bahia.

Há outros casos que envolvem políticos do partido. O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) é acusado de manter 46 trabalhadores em situação análoga à escravidão em uma de suas propriedades, no interior de Goiás. No grupo, havia sete menores de 18 anos. Em 2014, o caso rendeu uma condenação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) ao parlamentar: uma indenização de R$ 200 mil por dano moral coletivo. Mansur responde ainda a outros inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por trabalho escravo, crime de responsabilidade e crime praticado por funcionário público contra a administração em geral.

No fim do ano passado, o pastor Saulo Rodrigues, vereador do PRB em Ribeirão Preto (SP), foi condenado por estelionato a quatro anos e dois meses de prisão, por participar do esquema da Máfia das Ambulâncias. Ele firmou convênios com o Ministério da Saúde para a compra de equipamentos de saúde. Segundo a Justiça, em dois deles os valores estavam superfaturados. O pastor Marcos Roberto Abramo, que era deputado estadual em São Paulo pelo PP, saiu do partido e tornou-se vereador em Betim (MG), pelo PRB, foi condenado também por participar do esquema.

Em maio deste ano, compras e aquisição de serviços feitas de modo irregular, sem licitação, fizeram a prefeita de Anapurus (MA), Cleomaltina Moreira Monteles (PRB), ser condenada a cinco anos e dez meses de detenção. Além desses casos, há várias outras denúncias contra políticos do partido que ainda aguardam julgamento.

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