Chamada de “senhora Cascata”, mulher de Cachoeira se cala em CPI

Apelidada jocosamente por senadora que a acusa de lhe fazer ameaças, Andressa Mendonça se recusou a falar para os integrantes da comissão. Estratégia também foi adotada por policial federal suspeito de atuar como "araponga" para o grupo

A CPI do Cachoeira encerrou a reunião desta manhã (7) sem ouvir nenhum dos dois convocados para prestar depoimento. A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, utilizou o direito constitucional de ficar calada, mesmo sem ter conseguido um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). O policial federal aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, tido como um dos arapongas do esquema de Cachoeira, afirmou que, como não havia sido denunciado, não tinha nada a esclarecer sobre o caso.

 

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O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a oferecer aos dois depoentes a possibilidade de transformar a sessão aberta em secreta para que ambos pudessem colaborar com os trabalhos do colegiado. A proposta foi rejeitada.

"Eu não fui nem denunciado em nenhuma das duas operações. Não tenho nada a colaborar porque não conheço nada. Por isso que eu acho que o Supremo me deu essa prerrogativa", disse Thomé ao ser questionado pelo presidente do colegiado se falaria caso a sessão fosse secreta. Thomé deveria ter falado ao colegiado no início de julho, mas apresentou um atestado médico. Joaquim conseguiu no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus para permanecer calado.

"Senhora cascata"

Andressa foi convocada na condição de investigada. Na semana passada, ela foi acusada de ter tentado chantagear o juiz responsável pelo caso, Alderico Rocha, da 11ª Vara Federal de Goiânia. Ela chegou a ser levada para a Polícia Federal de Goiânia para depor e teve de pagar fiança de R$ 100 mil para não ser presa. Andressa está proibida de visitar Cachoeira e de manter contato com qualquer investigado do esquema.

Antes dos dois depoentes serem chamados para falar, vários senadores protestaram contra as recentes declarações da mulher de Cachoeira. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) afirmou que recebeu ameaças por meio de um telefonema anônimo feito ao seu gabinete no Senado. Ela acusou Andressa de está por trás das ameaças. "A senhora 'Cascata' é muito falastrona fora da CPI, ameaçando e tentando chantagear juiz. E ela teria dito que hoje ia me constranger e o seu silêncio realmente me constrangeu. [...] E eu gostaria que ela tivesse dito aqui quais são as acusações", disse a senadora ao final da reunião.

Na abertura dos trabalhos, os integrantes do colegiado discutiram questões de ordem administrativa. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) reivindicou a criação de sub-relatorias na CPI. Segundo o parlamentar, o objetivo é colaborar nas investigações devido ao grande volume de informações, evitando que o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), fique sobrecarregado. Alvaro Dias reclamou também que Odair estaria concentrando os trabalhos e deixando os demais parlamentares sem informação.

A questão será votada na próxima reunião administrativa que deverá acontecer em 14 de agosto. No entanto, Odair já afirmou que não pretende indicar sub-relatores. "Não julgamos necessário. Por que escolher apenas alguns? É melhor que todos tenham acesso às informações do que escolher apenas alguns. Não é verdade que eles estão sem informação. Todo mundo que solicitou algum dado, foi atendido", afirmou Odair.

Amanhã (8), mais duas testemunhas deverão comparecer à CPI: a ex-mulher do bicheiro, Andréa Aprígio, e o contador Rubmaier Ferreira de Carvalho.

Segundo a Polícia Federal, Andréa serve de "laranja" para Cachoeira no comando do laboratório farmacêutico Vitapan. Carvalho é apontado pela PF como o responsável pela abertura de empresas de fachada para dar sustentação à rede do bicheiro. Ambos conseguiram no Supremo o direito de permanecerem calados durante o depoimento.

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