CGU não deixou de investigar ninguém, diz o ex-ministro Jorge Hage

Ex-chefe da Controladoria-Geral da União diz que órgão decidiu não usar documentos de ex-advogado da empresa holandesa SBM por temer que investigações fossem anuladas devido à suspeita que recaía sobre a origem das provas

O ex-ministro da Controladoria geral da União (CGU) Jorge Hage negou à CPI da Petrobras que o órgão tivesse deixado de investigar denúncias de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore a diretores da estatal em troca de contratos.

A acusação foi feita pelo advogado Jonathan Taylor, que durante nove anos trabalhou na SBM, empresa que alugava plataformas de perfuração à estatal. Em depoimento à CPI da Petrobras, em Londres, ele disse que a SBM pode ter feito pagamentos de mais de US$ 92 milhões em propina em troca de contratos com a estatal entre 2003 e 2011, informação repassada por ele à CGU no ano passado.

Segundo Taylor, a CGU deixou de investigar as suspeitas por conta do calendário eleitoral. Jorge Hage explicou à CPI que a Controladoria optou por não usar documentos fornecidos pelo advogado nos processos de investigação porque havia suspeitas de que ele tinha obtido as informações de forma ilícita, o que poderia invalidar as investigações.

Hage explicou aos deputados da comissão que a SBM acusou Taylor de tentar extorquir a empresa em US$ 3 milhões para não revelar as informações que possuía – que incluíam documentos de uma investigação interna e gravações de conversas sem autorização judicial.

De acordo com o ex-ministro da CGU, a investigação sobre a suspeita de pagamento de propina começou a ser investigada pela CGU em fevereiro de 2014, quase seis meses antes do primeiro contato feito por Taylor, que mandou um e-mail a Hage se oferecendo para prestar informações.

Isso teria ocorrido em agosto e, segundo Hage, àquela altura a CGU já tinha solicitado todos os contratos da Petrobras com a SBM, bem como analisados e-mails de 23 funcionários suspeitos da Petrobras e descoberto que três funcionários da Petrobras tinham ido juntos a uma viagem não oficial à Holanda: Jorge Zelada, Renato Duque e José Orlando Azevedo.

O ex-ministro disse que a investigação da CGU encontrou dificuldades em obter informações oficiais das autoridades holandesas, que não aceitam cooperação internacional em processos administrativos – apenas em casos penais.

“Mesmo assim, a CGU determinou a abertura de processo de investigação contra seis funcionários da Petrobras a partir de investigações que começaram em fevereiro”, explicou Hage. Entre os acusados pela CGU estão o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o sucessor dele, Jorge Zelada, e o ex-diretor de Serviços Renato Duque. As acusações incluíam enriquecimento ilícito, patrimônio incompatível, transações imobiliárias suspeitas, viagens suspeitas em companhia de Júlio Faerman (então representante da SBM no Brasil), vazamento de informações confidenciais e recebimento de propina.

“Não é verdade, portanto, que a CGU nada fez. E a CGU agiu de forma correta ao optar em não usar os documentos de Taylor, que poderiam comprometer todo o processo e não ofereciam o principal: o nome de quem recebeu a propina”, disse Hage.

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