Centrais prometem novas manifestações contra reformas de Temer

Dirigentes sindicais afirmam que adesão à greve geral fortalece o movimento contra as mudanças que o governo quer fazer nas regras trabalhistas e previdenciárias

A greve geral desta sexta-feira (28) é um marco na história do movimento sindical brasileiro, acredita o secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado. Ele disse ao Congresso em Foco que novas manifestações serão organizadas para evitar a aprovação no Congresso Nacional das reformas trabalhista e previdenciária patrocinadas pelo governo Michel Temer. A greve tem duração de 24 horas.

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“As centrais vão se reunir na semana que vem para traçar os próximos passos. Não vai ficar só nisso. Não acabou ainda a ameaça da reforma trabalhista e previdenciária. Com certeza, não vamos parar e faremos novas manifestações”, afirmou Pegado.

De acordo com o sindicalista, a manifestação ficará marcada tanto na história do país quanto na dos próprios sindicatos. “Essa é a maior mobilização dos últimos tempos. Já fizemos greve geral por categoria, mas nacional, onde há muitas categorias envolvidas, não é uma coisa simples. Consideramos esse movimento um grande marco”, reforçou Canindé Pegado.

Ele acrescentou que os motoboys também prometeram parar em São Paulo nesta tarde, o que deve aumentar o alcance da greve geral. O estado de São Paulo conta com mais de 150 mil motoboys.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, essa já é a maior greve trabalhista realizada no Brasil. Ele compara a mobilização de hoje ao movimento grevista de 1989, quando 35 milhões de trabalhadores pararam os trabalhos para protestar. “Ainda não há estimativa, mas vamos ultrapassar esse número”, disse Vagner Freitas.

As manifestações atingiram o Distrito Federal e todos 26 estados. De acordo com a CUT, todas as entidades ligadas à central aderiram ao movimento. Todas as centrais apoiam a greve nacional, que mobiliza, além da CUT e da UGT, a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a Central Sindical Popular (CSP/Conlutas), a Força Sindical, a Nova Central, a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

Diversos movimentos sociais também aderiram ao movimento, assim como a Igreja Católica, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e mais de dez diferentes igrejas evangélicos.

No meio do furacão

Ouvida pelo Congresso em Foco, o presidente da Nova Central dos Trabalhadores do DF, Vera Leda, ressaltou o caráter pacífico do movimento.

Na tarde desta sexta-feira, manifestantes romperam as barreiras colocadas pela Polícia Militar entre o início da Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, onde se localizam os prédios do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, sede do governo federal.

Marcello Casal/Agência Brasil
“Estamos no meio do furacão. Mais de 20 mil pessoas já estão descendo para a Esplanada. O povo não se rendeu à barreira do batalhão da polícia, que está aqui com tropas, cachorros e cavalos. Eles não querem deixar os carros de som descerem, mas estamos negociando”, afirmou Vera Leda ao site.

Na maioria das capitais brasileiras, houve paralisação de serviços essenciais como transportes públicos (em especial, ônibus e metrô), bancos, instituições de ensino e correios. Vários servidores públicos, inclusive da Justiça do Trabalho, aderiram à greve geral. Em muitos estabelecimentos privados, a dificuldade de transporte aumentou significativamente as faltas ao de empregados.

Além de reagirem contra as reformas propostas por Michel Temer, os trabalhadores protestam contra a lei que libera a terceirização para todas as atividades das empresas.

Na última quarta-feira, a Câmara aprovou a maior mudança na legislação trabalhista brasileira desde a criação da Consolidação das Leis de Trabalho  (CLT), em 1943. Mais de cem artigos sofrerão modificações caso o texto seja aprovado no Senado e sancionado pelo Executivo.

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