Celina Leão aciona o MPF contra Liliane Roriz, sua “inimiga pública”, para tentar derrubar denúncia

Deputada alega que processo que a afastou da presidência da Câmara Legislativa se baseia em declarações de colega e está repleto de falhas. Ela quer que Liliane seja responsabilizada por 54 mil arquivos deletados da vice-presidência

 

Dizendo-se revoltada com o que classificou como processo “cinematográfico”, a presidente afastada da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Celina Leão (PPS), acionou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra sua algoz, a deputada Liliane Roriz (PTB), por obstrução de Justiça, fraude processual e falso testemunho. Celina alega que seu afastamento da presidência do Legislativo local, determinado pela Justiça, está “repleto de falhas” e se baseia nos depoimentos de Liliane, chamada por ela de sua “inimiga pública”.

 

A presidente afastada da CLDF foi denunciada pelo Ministério Público, ao lado de outros quatro colegas, de ter solicitado propina para a destinação de sobras orçamentárias de 2015 a empresas que possuíam contratos com o governo do Distrito Federal. Devido às acusações, ela está afastada da Presidência. Os procuradores pedem a cassação do mandato de Celina e dos deputados Julio Cesar (PRB), Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeiro (PPS) e Bispo Renato Andrade (PR) – todos alvos da Operação Drácon.

Em sua denúncia, protocolada no Tribunal de Justiça do DF na sexta-feira (2), Celina alega que Liliane, ex-vice-presidente da Casa, teria que ser responsabilizada pelos 54 mil arquivos deletados dos computadores de seu gabinete antes das buscas da Operação Drácon na Câmara Legislativa.

A presidente afastada se baseia em um relatório apresentado pela Coordenação de Informática da Câmara Legislativa do Distrito Federal e enviados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Distrito Federal. Segundo Celina, entre os arquivos apagados, havia 700 áudios. “Apagar os arquivos mostra uma clara intenção de obstruir a Justiça, e é passível de prisão – o que deveria ter acontecido à época com a deputada Liliane Roriz”, ataca Celina.

Citada como testemunha no processo, Liliane tem a obrigação de dizer a verdade, o que, segundo Celina, não está ocorrendo. “Inicialmente, ela afirmou que não era autora da emenda, mas depois voltou atrás porque a responsabilidade pelo planejamento e elaboração de emendas de alteração orçamentária é da vice-presidente, cargo que era ocupado pela deputada Liliane Roriz”, argumenta Celina.

A presidente afastada diz que houve falso testemunho por parte de Liliane nos depoimentos prestados à Justiça nos dias 29 de julho e 18 de agosto deste ano. Lembra, ainda, que a sessão que aprovou a destinação das emendas em questão foi presidida pela então vice-presidente, devido à ausência da presidente atualmente afastada do cargo.

Para a defesa de Celina, Liliane é responsável por uma “fraude processual”. A peça apresentada pelos advogados da presidente afastada afirma que as denúncias apresentadas pela ex-vice-presidente são falsas, mas nortearam todo o processo e foram decisivas para adoção de graves medidas constritivas contra os deputados envolvidos.

Procurada, a deputada Liline Roriz não respondeu às acusações de Celina Leão até o fechamento desta reportagem.

A Operação Drácon investiga um esquema denunciado por Liliane Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. A deputada gravou áudios de Celina Leão e do ex-secretário-geral, Valério Neves, falando sobre um suposto esquema de desvio de recursos da saúde por meio de emendas parlamentares. A Drácon está em sua terceira fase e gerou o afastamento de Celina da Presidência da Câmara Legislativa, além de buscas e apreensões em gabinetes e residências de cinco deputados distritais.

Mais sobre Brasília

Mais sobre Operação Drácon

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!