Cassado, Cunha ameaça revelar segredos políticos

Deputado cassado diz que vai escrever livro relatando bastidores do impeachment que envolvem o presidente Michel Temer, Rodrigo Maia e o PT. “Vou revelar todos os diálogos que tive à medida que for me lembrando. A sociedade merece conhecer toda a verdade”, ameaçou

O agora ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) declarou, logo após anunciado o resultado desfavorável contra si, que sua cassação decidida pelo plenário da Câmara, no final da noite desta segunda-feira (12), foi resultado de uma aliança entre o presidente Michel Temer, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a bancada do PT – que se aliaram para tirar o seu mandato. Logo após o resultado, Cunha deu entrevista e ameaçou contar em um livro todos os bastidores do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Minha cassação foi política. O governo se associou a Rodrigo Maia e ao PT para cassar meu mandato. Foi uma cassação política”, disse Cunha.

Assista a trecho da fala de Cunha logo após a cassação:

 

 

O ex-deputado afirmou que está procurando uma editora para publicar seu livro. Segundo ele, as páginas da publicação trarão os bastidores do processo de impeachment de Dilma. “O governo patrocinou a eleição de Rodrigo Maia com a pauta da minha cassação”, disse o agora ex-deputado. Com a decisão desta noite na Câmara, e sua consequente publicação no Diário Oficial, Cunha perde o mandato e os direitos políticos por oito anos.

“Vou revelar todos os diálogos que tive à medida que for me lembrando. A sociedade merece conhecer toda a verdade”, ameaçou Cunha.

Cunha também creditou à conjuntura política atual, às vésperas das eleições municipais, que ajudaram a mobilizar os deputados pela sua cassação. Na avaliação do peemedebista, se sua cassação fosse votada depois das eleições municipais, o resultado seria outro.

O ex-deputado também reclamou da não aceitação de uma proposta feita pelos seus aliados, de fatiar o seu julgamento para cassá-lo e manter seus direitos políticos, como fez o Senado com a ex-presidente Dilma Rousseff. “O Senado usou o regimento da Câmara para fatiar a decisão sobre a presidente Dilma e agora rejeitou o mesmo pedido para o meu caso. Isso mostra que minha cassação foi política”, disse Cunha.

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