Caso Petrobras: líder do PPS acusa Dilma de “cinismo a toda prova”

Rubens Bueno diz que presidenta deu declarações contraditórias sobre compra de refinarias nos Estados Unidos e no Japão e que deve ser responsabilizada por prejuízo bilionário. Para ele, versão sobre unidade japonesa derruba o que ela havia dito sobre a refinaria de Pasadena

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), acusou a presidenta Dilma Rousseff de usar de “cinismo a toda prova” e “desculpas esfarrapadas” para “justificar o injustificável” ao comentar sua posição sobre a compra das refinarias de Pasadena, nos Estados Unidos, e de Nansei Sekeiy, no Japão. Segundo Rubens Bueno, a presidenta deu declarações contraditórias e “capengas” a respeito das duas negociações e ainda deve explicações ao país.

Em nota ao jornal O Estado de S. Paulo, Dilma afirmou que, se soubesse da existência da cláusula Put Option no contrato de compra de 50% da refinaria em Pasadena, não teria dado aval ao negócio em 2006, quando presidia o conselho de administração da Petrobras. O negócio deu prejuízo estimado de US$ 1 bilhão à estatal. Por essa cláusula contratual, um sócio tem de comprar a parte do outro se houver divergência entre eles.

Reportagem deste sábado do Estadão revela que, também em nota, a presidenta confirmou que estava ciente de que essa mesma cláusula estava prevista no contrato para a compra de uma refinaria japonesa. Nem por isso, se opôs à negociação. Pelo contrário, em 2007, quando ainda era ministra da Casa Civil e comandava o conselho da Petrobras, também avalizou o negócio.

O ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli já havia declarado à imprensa que esse tipo de cláusula é comum nos contratos celebrados pela empresa. Para o líder do PPS, Dilma deu “uma desculpa esfarrapada para justificar o injustificável, que foi o negócio lesa-pátria aprovado por ela como ministra da Casa Civil e presidente do conselho administrativo da Petrobras”.

Ele também questionou por que a presidenta demorou tantos anos para afastar da diretoria financeira da BR Distribuidora Nestor Cerveró, responsabilizado por ela como autor do relatório resumido que levou o conselho a aprovar a compra da refinaria nos Estados Unidos. Segundo Dilma, o documento era “falho” tecnicamente. Na época, Cerveró era diretor da área internacional da estatal. “Ele deixou a área internacional e foi premiado com esse cargo, que exercia até agora. De repente, é demitido. Por que demorou tanto a demissão?”, criticou Rubens Bueno.

Para o líder do PPS, Cerveró é peça-chave para esclarecer a compra da refinaria de Pasadena e tem de prestar esclarecimentos em depoimento ao Congresso. “A verdade é que um diretor não compra empresa. A responsável pela aquisição da refinaria de Pasadena é a presidente Dilma. Não há como ela fugir desse fato”, afirmou. Na avaliação do deputado, as contradições do caso só reforçam a necessidade de instalação de uma CPI mista, formada por deputados e senadores.

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