Caso de deputado ligado a Cachoeira fica sem relator

Mauro Lopes, que relataria o processo de Carlos Alberto Leréia, desistiu após ser acusado de favorecer agropecuária. Como a cassação de Leréia já foi rejeitada, a Câmara discute que outra punição pode ser aplicada contra ele

O deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) desistiu, na última quinta-feira (29), de ser o relator do voto vencedor do processo por quebra de decoro parlamentar para o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) no Conselho de Ética da Câmara. A desistência acontece dias após a revista Veja publicar reportagem em que o peemedebista aparece envolvido em um esquema que condicionou a liberação de R$ 120 milhões para a modernização das instalações do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) mediante a contratação de fornecedores ligados ao partido.

Na semana passada, o Conselho de Ética rejeitou o parecer de Ronaldo Benedet (PMDB-SC) pedindo a cassação do mandato de Leréia por seu envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Como ele foi rejeitado, Lopes deveria apresentar outro relatório para conduzir o voto vencedor. Ele poderia sugerir a absolvição ou uma pena alternativa, como sanção por escrito ou suspensão do mandato.

Apesar de ter apresentado um ofício ao órgão afirmando ter desistido "em razão da elevada carga de trabalho e da impossibilidade de dedicação adequada ao caso", Lopes foi convencido pelo presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), a deixar o caso. Segundo Izar, uma pessoa envolvida em uma denúncia de corrupção não poderia se manter como relator de um processo disciplinar. Ele deverá indicar o novo relator até hoje (30).

Liberação

Segundo Veja, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, esteve no interior de Minas Gerais há duas semanas para a comemoração do aniversário do Lanagro, acompanhado por Mauro Lopes e por Newton Cardoso (PMDB-MG). Na ocasião, ele teria anunciado o investimento de R$ 120 milhões para o laboratório. No entanto, nos bastidores o ministro teria negociado a liberação dos recursos à contratação de empresas ligadas ao PMDB.

O caso foi denunciado à Comissão de Ética da Presidência da República, ao Ministério Público e ao próprio Ministério da Agricultura pelo presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Wilson Roberto de Sá após ter conversado com o veterinário Ricardo Nascimento, coordenador do Lanagro. Nascimento foi quem sofreu o assédio moral cometido pelo ministro e pelos deputados.

Em resposta à revista, Mauro Lopes afirmou inicialmente que tudo não havia passado de um mal-entendido pois a conversa com o coordenador do laboratório teria se limitado apenas ao perfil dos funcionários terceirizados. Mas depois o parlamentar voltou atrás e negou que o ministro tivesse participado da conversa.

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