Cardozo ignora diálogo com policiais federais, diz entidade

Depois da associação dos delegados da PF, sindicato dos agentes reclama do que considera falta de diálogo do ministro da Justiça. Entidade tenta audiência desde setembro

Depois das reclamações da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, agora é acusado por falta de diálogo pelo sindicato da categoria no Distrito Federal, o Sindipol-DF, a respeito de temas como política de combate à corrupção. A entidade tenta desde setembro do ano passado uma audiência com Cardozo para tratar do tema e assuntos correlatos, e diz que sequer uma resposta negativa foi dada pelo ministério.

Diversos ofícios foram protocolados em vão pelo Sindipol, que os repassou à reportagem. Em um dos documentos, de 16 de setembro de 2014, o sindicato pede ao Ministério da Justiça “manifestação favorável” para a sanção presidencial de projeto de lei aprovado pelo Congresso – o PL 78/2014, que altera legislação para conceder à classe dos peritos em papiloscopia o status de “peritos oficiais de natureza criminal”. Para o sindicato, a categoria tem papel fundamental no combate à corrupção ao emitir seus laudos periciais, que embasam inquéritos policiais e processos judiciais, ajudando na identificação de vítimas e na autoria de crimes diversos.

Mas Cardozo continua sem receber as entidades. Tanto o Sindipol quanto a ADPF reclamam que ele contradiz o próprio discurso ao dizer que o governo está aberto ao diálogo, como o ministro se apressou em anunciar após das manifestações de 15 de março contra a corrupção. Como este site mostrou naquele domingo, o ministro da Justiça anunciou o envio ao Congresso de um pacote anticorrupção, o que foi feito na última terça-feira (17).

No dia seguinte, a presidenta Dilma Rousseff lançou oficialmente o pacote, que tipifica criminalmente a prática de caixa dois e confisca bens provenientes de atividades criminosas, entre outros pontos. Embora recebido com críticas por oposicionistas, membros da base aliada no Congresso acreditam que a discussão é uma resposta adequada às manifestações. Em meio às movimentações e ao debate sobre o tema, Cardozo continua sem receber os representantes dos policiais federais.

Discurso repetido

Por meio de nota, o Sindipol formaliza sua insatisfação e menciona a necessidade de melhorias na segurança pública brasileira. “Atento às necessidades da população e com intuito de solucionar esses graves problemas, o Sindipol/DF, por meio dos ofícios nº 263/2014 e nº 76/2015, buscou e busca manter o diálogo com o Ministério da Justiça e com o governo, mas não obteve até o presente momento retorno de suas reivindicações”, reclama a entidade.

A nota critica ainda o discurso “muitas vezes” repetido de Cardozo sobre corrupção e segurança pública. “[...] o Ministro da Justiça informou que o governo está aberto ao diálogo e pronto para receber propostas que possibilitem alcançar as melhorias na segurança pública e no combate à corrupção. Mas vale ressaltar que esse discurso muitas vezes foi proferido, e por inúmeras vezes este Sindicato tentou diálogo e apresentou propostas de boas práticas na prestação de serviço de segurança pública, mas nunca obteve abertura nem respostas às solicitações dos policiais federais”, acrescenta a nota assinada pelo presidente do Sindipol, Flávio Werneck.

O Congresso em Foco procurou o Ministério da Justiça em busca de esclarecimentos sobre a falta de respostas para as demandas das entidades. Até a publicação deste texto, nenhum retorno foi dado ao site, que reitera o espaço aberto para o posicionamento do ministro a qualquer tempo.

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