Cardozo: ‘Se achar que não sirvo mais à presidenta, sairei’

Em entrevista ao Estadão, ministro da Justiça admite possibilidade depois de reação de setores do PT insatisfeitos com Lava Jato. “Não tenho de prestar informações só ao PT”, disse

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu nesta quinta-feira (2) que pode deixar o cargo. Pressionado por setores do PT, supostamente insatisfeitos com o desenrolar de investigações que atingem o partido, Cardozo disse ao jornal O Estado de S. Paulo que, caso se considere sem utilidade ao governo Dilma Rousseff, põe o posto à disposição.

“Se eu achar que não contribuo mais para o projeto e não sirvo mais à presidenta, sairei”, disse o ministro, em entrevista ao jornal paulista.

Cardozo declarou que não é seu papel como ministro de Estado orientar investigações da Polícia Federal, órgão diretamente subordinado ao Ministério da Justiça, para beneficiar aliados ou punir adversários políticos. O jornal lembra que, na semana passada, a cúpula do PT chegou a convidar o ministro a explicar o que foi classificado como “vazamentos seletivos” no âmbito da Operação Lava Jato, sobre o escândalo de corrupção na Petrobras. A iniciativa dos petistas foi abortada depois que o Planalto a considerou como “um tiro no pé”.

“Eu não tenho de prestar informações só ao PT, mas a qualquer força política que desejar explicações em relação aos meus atos”, acrescentou Cardozo, sem arriscar um palpite sobre seu futuro no governo. No partido, há quem queira sua permanência – ontem (quinta, 2), uma nota de apoio ao ministro foi divulgada por deputados federais do PT.

Cardozo também comentou os rumores de que o ex-presidente Lula estaria entre os próximos presos na Lava Jato, devido às revelações de empreiteiros já detidos com quem o petista mantinha relações próximas. “O presidente Lula é um líder reconhecido no Brasil e no mundo. Eu não acredito que ele tenha praticado atos lesivos ao patrimônio ou atos ilícitos. Não vejo como ele possa ser alvo de investigação”, afirmou o ministro.

Confira a entrevista dada por Cardozo ao Estadão

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