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Capiberibe: “Por que minha posse demorou tanto?”

Mais de um ano depois das eleições de 2010, o ex-governador do Amapá toma posse como um dos 81 senadores desta legislatura; João Capiberibe retoma a vaga até hoje ocupada por Gilvam Borges, aliado de José Sarney e integrante do grupo que, segundo o próprio senador, tentou impedir sua posse

 

O ex-governador do Amapá João Capiberibe (PSB) tomou há pouco, depois de mais de um ano de espera, posse como um dos 81 senadores desta legislatura. Ele, que havia sido impedido de exercer mandato graças à indefinição em torno da Lei da Ficha Limpa (leia tudo sobre), retoma a vaga que estava ocupada por Gilvam Borges (PMDB-AP), aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). No rápido ato da Mesa Diretora, Sarney, adversário político do empossado, limitou-se a ler o protocolo de nomeação após o juramento constitucional do novo senador, em pronunciamento que foi seguido de palavras de ordem e ovação de correligionários – cerca de cem, que lotaram as galerias do Plenário do Senado e quebravam a norma regimental de não manifestação em sessões plenárias.

No primeiro discurso como senador, Capiberibe questionou por que havia demorado tanto para tomar posse, enquanto Sarney franzia a testa em silêncio – ele que fora acusado pelo próprio Capiberibe de, com seu grupo político no Amapá, orquestrar o impedimento da diplomação de seu desafeto político. “Alguém desse plenário poderia me perguntar: se você nunca foi condenado, por que, então, o TSE o enquadrou na Lei da Ficha Limpa e lhe cassou o registro de candidato no dia 30 de setembro de 2010, a 48 horas da eleição?”, questionou, lembrando as condenações da época da ditadura, por “atividades subversivas”.

Eleito como o segundo mais votado do estado (130.411 votos), Capiberibe chegou ao plenário pouco antes das 16h e, abordado pela imprensa, resumiu em uma frase seu estado de espírito na iminência da posse. “Deixe-me sentar nesta cadeeeeira!”, exclamou o senador, referindo-se a uma das cadeiras azuis do plenário. Sob aplausos, ele foi conduzido à tribuna do plenário pelos companheiros de partido Antônio Carlos Valadares (SE), Rodrigo Rollemberg (DF) e Lídice da Mata (BA), além dos senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP), Marinor Brito (Psol-PA) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

Pouco antes da posse, Capiberibe se queixava, repetindo o que havia dito em entrevista exclusiva publicada hoje (terça, 29) por este site, do tratamento a ele dispensado pela Justiça Eleitoral no processo por compra de voto que culminou em sua cassação, em 2004, e posterior indeferimento de candidatura, nas eleições de 2010. O mesmo caso da mulher, Janete Capiberibe (PSB), deputada federal eleita no ano passado pelo Amapá e empossada dez meses após as eleições, em julho.

“Dois mandatos cassados por dois votos de R$ 26, parcelados em duas vezes. Isso está no acórdão do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], não sou eu quem está falando. Está no acórdão”, resignou-se o senador, referindo-se ao documento daquele tribunal com o registro de seu impedimento junto à Justiça Eleitoral. O mandato de Capiberibe foi cassado após a denúncia de duas testemunhas, que diziam ter recebido R$ 26 em troca de seus votos.

Casal na tribuna

Uma vez empossado, Capiberibe foi convidado pelo próprio Sarney a ocupar o púlpito e fazer seu primeiro pronunciamento como senador eleito. Em seguida, Sarney chamou o filho de Capiberibe – o governador do Amapá, Camilo Capiberibe – para ocupar um lugar na Mesa do Senado.

Depois de fazer rápida saudação a “companheiros de luta” – como o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, morto em 2005; o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral; e a deputada Luíza Erundina (PSB-SP), presente ao plenário – Capiberibe se emocionou ao falar dos dias de exílio ao lado da mulher, Janete Capiberibe. E, quebrando o protocolo, chamou-a à tribuna, e com ela prosseguiu em seu discurso de cerca de meia hora. Diversos apartes de boas-vindas foram registrados após a fala.

“Vamos repetir a mesma cena de seis anos atrás. Só que, desta vez, para dizer ao Brasil que aqui estamos para retomar a luta por um país justo, fraterno e de bem com a natureza”, discursou, fazendo menção ao nascimento do filho. “O nobre governador que ocupa essa Mesa nasceu na longa noite do nosso primeiro exílio, quando eu e minha mulher Janete, como diria o poeta, errávamos cegos pelo continente”, declamou o senador, para em seguida homenagear seu séquito no plenário.

“Neste momento, no Senado, tanto na tribuna de honra quanto nas galerias, meus conterrâneos me honram com suas presenças. Tenho certeza de que a maioria está incluída entre os 130.411 protagonistas desse momento. É uma tarefa difícil nomear cada um dos presentes. Só me resta dizer a vocês todos que me sinto extremamente feliz em encontrá-los neste evento histórico”, declarou.

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