Adversários apostam em dissidentes contra Henrique

Na disputa pela presidência da Câmara, Júlio, Rose e Chico desafiam favoritismo do peemedebista, que tem o apoio de quase todas as legendas, para forçar a realização de um 2º turno

Dos quatro candidatos que disputam nesta segunda-feira (4) a presidência da Câmara, três deles têm o mesmo pensamento: conseguir número de votos suficientes para levar a eleição para o segundo turno. Chico Alencar (Psol-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG) e Rose de Freitas (PMDB-ES) passaram o fim de semana e as primeiras horas do dia tentando convencer os colegas a não votarem naquele que é apontado como o candidato favorito, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A intenção é forçar uma nova rodada de votação e conseguir mais tempo para apresentar propostas e estabelecer alianças para vencer o atual líder do PMDB na Casa. Henrique tem o apoio declarado de quase todas as legendas. Contra esse cenário adverso, seus três concorrentes apostam todas as suas esperanças no voto dos dissidentes dentro de cada bancada, o que poderia forçar a realização de um segundo turno, abrindo caminho para a construção de uma aliança contra o deputado do Rio Grande do Norte.

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Os quatro candidatos passaram o domingo na Câmara. Chico se inscreveu oficialmente na parte da tarde. Júlio participou de conversas com colegas. Já Rose e Henrique estiveram na reunião da bancada que definiu Eduardo Cunha como novo líder do PMDB na Câmara.

Para Júlio, o segundo turno "já está consolidado". Ele diz ter votos do próprio PMDB e de outros partidos da base. No PT, por exemplo, ele estima que entre 20 e 25 deputados não votarão em Henrique Alves. Candidata avulsa, Rose de Freitas conta com uma parte da bancada peemedebista e espera, ainda, ter o apoio maciço das mulheres parlamentares da Casa.

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Eduardo Cunha é o novo líder do PMDB na Câmara

Apesar de também esperar pela realização de um segundo turno, Chico Alencar tem um objetivo diferente. Ele entende que um novo pleito dá mais tempo para os deputados conversarem e debaterem projetos para melhorar a imagem da Câmara. Em entrevista ao Congresso em Foco, ele disse que é candidato por uma outra Casa. Além disso, defende a aplicação das leis aprovadas pelo próprio Legislativo.

“A Casa de leis não valoriza as próprias leis que fez”
Chico Alencar: “Sou candidato por uma outra Câmara”

Ao longo da campanha, Henrique, Júlio e Rose apresentaram propostas voltadas para agradar ao chamado baixo clero, grupo de deputados sem expressão nacional que forma a maioria da Câmara. Em comum nos planos apresentados pelos três, mais espaço físico, como a construção de um novo anexo para receber gabinetes, distribuição proporcional de relatorias de medidas provisórias e maior espaço para os parlamentares nos veículos de comunicação oficial da Casa, como a TV, a rádio e o Jornal da Câmara.

Promessas de candidatos miram o baixo clero

Deputados do PMDB estão otimistas com a eleição de Henrique Alves já no primeiro turno.  E um dos motivos para isso é a escolha de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para líder do partido na Câmara. A avaliação é que, caso tivesse perdido a disputa ontem para Mabel, o grupo de Eduardo Cunha votaria, em peso, em Rose de Freitas. "Pelo menos foi a primeira escolha democrática em sete anos", disse Rose, ao ser questionada pelo Congresso em Foco sobre o resultado da disputa interna. Nos últimos sete anos, o partido foi liderado por Henrique, seu principal adversário nesta segunda-feira.

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Veja as principais propostas de Henrique Eduardo Alves
Veja as principais propostas de Júlio Delgado
Veja as principais propostas de Rose de Freitas

Votação secreta

Na noite de ontem (3), foram definidos os últimos detalhes para a eleição. O pleito está marcado para as 10h. Cada candidato terá direito a até 15 minutos para defender sua candidatura. Depois, os deputados começam a votar. A votação é secreta. Existem 19 urnas espalhadas pelo plenário da Câmara. Vence quem conseguir maioria absoluta dos presentes. Por exemplo, se 500 parlamentares assinarem a lista, o primeiro a atingir 251 votos ganha. Caso ninguém consiga alcançar essa marca, os dois mais votados disputarão o segundo turno. Depois de eleito, o novo presidente da Câmara conduzirá o resto da sessão para escolher os demais integrantes da Mesa Diretora.

Nas últimas semanas, o Congresso em Foco procurou todos os candidatos à presidência da Câmara para ouvir suas propostas e o que eles pensam a respeito da imagem da Casa. Apenas Henrique Alves não retornou o pedido de entrevista. Veja, a seguir, as entrevistas concedidas por Júlio Delgado, Rose de Freitas e Chico Alencar:

“Hegemonia do PMDB é perigosa”, diz Júlio Delgado

Rose de Freitas: “A Câmara não é democrática. Ela exclui”

Chico: “A Casa de leis não valoriza as próprias leis que fez”

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