Campos ataca “gerente” Dilma: “O Brasil parou”

Ao confirmar Marina Silva como sua candidata a vice ao Planalto, ex-governador critica condução da política econômica e diz que o país perdeu o rumo. "O Brasil quer mais que um gerente, quer uma liderança"

Em discurso durante lançamento de chapa à sucessão presidencial, o pré-candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) afirmou, nesta segunda-feira (14), que o Brasil "parou". Segundo ele, nos últimos três anos, o país perdeu o rumo estratégico, seus fundamentos macroeconômicos e também a inclusão social. Em ato político, realizado em um hotel em Brasília, ele anunciou que a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva (PSB) será sua candidata a vice. Ex-governador de Pernambuco e ex-aliado do Planalto, ele citou que "o mundo desanimou em relação ao Brasil".

 

 

"Não podemos deixar o povo brasileiro desanimar. Não temos apenas compromissos programáticos, mas de vida. Estamos no caminho mais desafiador. O Brasil não podia ficar entre o debate do presente e o debate do passado. Precisava de uma opção. O Brasil quer mais que um gerente, quer uma liderança. Este país é muito maior do que todos os partidos que existem nele. Vamos percorrer o Brasil para ouvir as angústias do povo", discursou.

Campos prometeu fazer um debate respeitoso e limpo, mas aguerrido. "Vamos pra cima para fazer o debate que sabemos fazer. Eles [concorrentes] sabem que nós sabemos fazer. Os problemas econômicos que temos têm a ver com o rumo estratégico, a falta de confiança, a falta de firmeza, a falta de transparência nas contas", declarou.

O ex-governador também comentou as denúncias que envolvem a Petrobras e fez alusão às críticas da presidenta Dilma de que há uma "campanha negativa", motivada por interesses eleitorais, contra a empresa. "Não vamos permitir que a Petrobras se transforme num caso de polícia. É preciso separar os erros das instituições. Vamos fazer a diferença na estatal".

Aliança programática

Ao confirmar que aceitou o convite para ser a candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, Marina Silva ressaltou que não espera pela transmissão imediata dos mais de 19 milhões de votos que recebeu para presidente em 2010. A luta agora, segundo ela, é para levar adiante uma aliança programática, e não apenas eleitoral.

"Muitos apostavam que não daria certo. Mas estamos dando certo. Começamos fazendo uma aliança programática, antes da eleitoral. Os quase 20 milhões de votos recebidos nas eleições de 2010 não podem ser tratados como herança porque os eleitores ainda estão vivos. A política não pode ser mais empecilho para o desenvolvimento do país. Aprendi com Lula, no começo. O atraso na política faz com que a gente não encare os desafios", disse Marina.

"Portadores de esperança"

Um dos principais formuladores econômicos de Marina, o economista Eduardo Gianetti também foi chamado ao palco para discursar. Ele afirmou que o Brasil está cansado da polarização PT e PSDB. “Esses partidos já deram o que tinha de dar. Somos portadores da esperança. O governo atual vai entregar o país com a menor taxa de crescimento da história na era republicana”.

Gianetti disse que o atual governo “arrebentou” as duas principais estatais do país (Petrobras e Eletrobras) e que Dilma concluirá seu mandato com juros mais elevados do que quando recebeu o governo, em 2011. Ele comparou o atual crescimento econômico ao registrado nos governos de Floriano Peixoto e Fernando Collor.

Outro intelectual presente ao evento, o escritor Ariano Suassuna também discursou em favor do ex-governador de Pernambuco. “Eduardo Campos é o político mais brilhante que já vi. Ele diz e cumpre o que diz. Precisamos de alguém que identifique as necessidades do povo”, disse Suassuna.

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