Caminhoneiros bloqueiam rodovias federais em nove estados

Rio Grande do Sul é o estado mais prejudicado, com 46 interdições em 12 rodovias federais. Governo quer diálogo com caminhoneiros, mas não inclui preço do diesel na pauta

As manifestações de caminhoneiros contra o aumento dos combustíveis tornaram-se mais intensas na tarde de hoje (24), segundo o mais recente balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Motoristas enfrentam dificuldades em 124 pontos de rodovias federais em nove estados. De manhã, eram 69 trechos bloqueados.

O estado mais prejudicado é o Rio Grande do Sul, com 46 interdições em 12 rodovias federais (BRs). As rodovias mais atingidas com os bloqueios no estado são as BRs-158 e 285. Santa Catarina tem 27 trechos bloqueados. Na BR-262, no quilômetro 645, perto do município de São Miguel do Oeste, a interdição começou quarta-feira passada (18).

O Paraná tem 20 trechos de seis rodovias bloqueados por caminhoneiros. Na BR-163, no trecho próximo da cidade de Santo Antônio do Sudoeste, a interdição teve início na quinta-feira (19). Em Mato Grosso, são dez rodovias parcialmente interditadas. Em Minas Gerais, há nove pontos de bloqueio e em Mato Grosso do Sul, seis.

Na Bahia, quatro trechos das BRs-020, 242 e 116 foram interditados de manhã. No Ceará, o trecho da BR-116 no município de Eusébio foi bloqueado à tarde.

Diálogo sem preço do diesel

O governo instala amanhã (25) uma mesa de negociações e diálogos com representantes dos caminhoneiros e das transportadoras. O objetivo é tentar resolver os problemas decorrentes das manifestações que já bloqueiam rodovias de nove estados brasileiros. A redução do preço do óleo diesel, no entanto, não está em pauta, conforme informou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto.

De acordo com o ministro, o governo está “atento, acompanhando as manifestações dos caminhoneiros e mantendo diálogo permanente com as lideranças deles e dos empresários”.

Segundo Rossetto, a posição do governo é de estímulo a uma negociação direta entre os dois lados, com o objetivo de respeitar as reivindicações, mas evitar a obstrução das estradas, “garantindo o abastecimento da populaçaão brasileira e evitando prejuízos à sociedade e à economia”.

Na manhã e tarde de hoje (24), o ministro se reuniu, no Palácio do Planalto, com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, além do Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams. Mas o “diálogo permanente”, conforme o ministro, já ocorre com caminhoneiros, lideranças empresariais e governos estaduais.

Na pauta do encontro de amanhã, marcado para 14h, estão o preço do frete, uma das principais reivindicações do movimento, a regulamentação da Lei dos Caminhoneiros, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, e a prorrogação dos financiamentos do programa Procaminhoneiros.

Miguel Rossetto prometeu levar a posição do governo sobre os dois últimos pontos na reunião de amanhã. “Com essas medidas, esperamos voltar à normalidade e recuperar o ambiente positivo de diálogo e de solução de grande parte das pautas levantadas pelos caminhoneiros”.

Por mais de uma vez, o ministro disse que não faz parte da pauta do governo o preço dos combustíveis. “O tema central das lideranças é o valor do frete. Queremos que a solução para o preço, como ocorre no país, seja feita por meio de uma relação direta. Vamos estimular, coordenar e incentivar o diálogo entre o setor empresarial e os representantes dos caminhoneiros”, acrescentou.

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