Câmara chama para depor ex-diretor da Petrobras preso

Duas comissões querem ouvir Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato, sobre denúncias de pagamento de propina a funcionários da estatal e irregularidades em compra e construção de refinarias

A Câmara decidiu, nesta quarta-feira (9), chamar o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, para prestar esclarecimentos em duas comissões. Paulo Roberto será ouvido pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e pela comissão externa que apura denúncias de pagamento de propina por uma empresa holandesa a funcionários da estatal brasileira. Ainda não há data prevista para os depoimentos.

Como Paulo Roberto está preso em Curitiba, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle terá de pedir autorização especial à PF para que o ex-diretor se desloque até Brasília. Por se tratar de convite, ele não é obrigado a comparecer. A oposição quer ouvir o ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

"Paulo Roberto Costa precisa ser ouvido por esta Casa de modo que se esclareça a ligação entre todas as irregularidades escancaradas da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef, que operava repasses de dinheiro para aliados do governo federal. Precisamos fechar o cerco e descobrir para onde está indo todo esse dinheiro usurpado das grandes empresas do povo brasileiro", disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), autor do requerimento aprovado.

A comissão externa criada para investigar denúncias de pagamento de propina pela SBM Offshore a funcionários da Petrobras também decidiu convidar o atual diretor da empresa holandesa no Brasil, Philippe Levy.

Pasadena

Na semana passada, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara também aprovou convites para Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras. Os dois são responsabilizados, pela presidenta Dilma, de ter repassado ao conselho administrativo da estatal um documento “falho” sobre o negócio, que causa prejuízo de R$ 1 bilhão. Na época, Dilma era ministra da Casa Civil e comandava o conselho.

Paulo Roberto foi preso em operação da PF que desarticulou um grupo acusado de lavar mais de R$ 10 bilhões. A PF encontrou US$ 180 mil e R$ 720 mil na casa do ex-diretor da estatal. De acordo com a polícia, ele recebeu um Land Rover de presente do doleiro Alberto Youssef, preso pela operação e apontado como líder do esquema. O ex-executivo da Petrobras foi preso sob suspeita de ter queimado provas e documentos para obstruir as investigações. O mandado de prisão é temporário, vale por cinco dias. Segundo a reportagem da revista Época, nem todas as provas foram destruídas.

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