Caiado desafia Lindbergh no Senado: “Fala lá fora”!

“O senhor não está lidando com os funcionários de sua fazenda!”, rebateu Lindbergh, em plena comissão do impeachment. Petista disse que Caiado mentiu ao dizer que membros do governo Dilma tem apagado arquivos para prejudicar eventual gestão Temer. Assista ao vídeo

Os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lindbergh Farias (PT-RJ) protagonizaram uma áspera discussão no início da noite desta segunda-feira (2), levando à interrupção temporária dos trabalhos da comissão do impeachment no Senado. O bate-boca culminou com o oposicionista desafiando o colega petista a repetir acusações proferidas durante o entrevero “lá fora [da sala onde funciona o colegiado]”.

“Fala lá fora, seu merda!”, bradou Caiado, repetindo o desafio feito em 29 de outubro do ano passado, ao então ministro de Minas e Energia, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), durante audiência pública da Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas do Senado – na ocasião, Caiado também chamou o interlocutor para a briga.

“Mentiroso! Mentiroso!”, retrucou Lindbergh. A essa altura da confusão, ambos já estavam de pé. Caiado foi contido por senadores ao ameaçar se aproximar do petista.

Confira no vídeo:

 

A discussão começou quando Caiado, em pronunciamento na audiência pública que reúne especialistas favoráveis ao impedimento presidencial, disse que integrantes do governo Dilma Rousseff estão apagando arquivos, em ministérios, autarquias, estatais e outros postos da administração pública, para prejudicar a transição para um eventual governo Michel Temer, uma vez confirmado o afastamento de Dilma. A fala de Caiado, embora sem confirmação fática, é um dos rumores sobre a fase que, ao que tudo indica, antecede o afastamento temporário da petista por 180 dias.

Lindbergh não gostou da fala de Caiado, e reagiu imediatamente. “É mentira do senador”, rebateu o petista, um dos mais combativos membros da tropa de choque governista na comissão do impeachment.

Depois da intervenção de Lindbergh, o que se viu foi uma troca intensa de ofensas e acusações, aos gritos, em os interlocutores e um ou outro senador – a gritaria foi tamanha que a senadora Ana Amélia (PP-RS), que presidia a sessão do colegiado no momento do tumulto, precisou soar a campainha da sala de audiência e cortar os microfones dos envolvidos.

Depois do desafio de Caiado, ainda foi possível ouvir Lindbergh rebatê-lo com outra provocação. “O senhor não está tratando com os funcionários de sua fazenda, não! Pensa que eu tenho medo de você? É o presidente da UDR!”, vociferou Lindbergh, referindo-se à União Democrática Ruralista. Depois de mais alguns instantes e impropérios lançados de lado a lado, senadores intervieram e conseguiram pôr fim à discussão, abrindo caminho para a retomada dos trabalhos.

O debate na comissão já dura cerca de 11 horas. Participam da audiência Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público do Tribunal de Contas; José Maurício Conti, professor do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da USP; e Fábio Medina Osório, advogado e presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado. Um terceiro convidado, o ex-ministro do STF Carlos Veloso, alegou impossibilidade de comparecer e a oposição tentava na sexta-feira substitui-lo por outro jurista.

Recorrência

Não é a primeira nem a segunda vez que Caiado se envolve em bate-boca e troca de ofensas com um colega de Senado em uma comissão temática. Em 7 de abril, o senador discutiu também asperamente com Donizeti Nogueira (PT-TO) em uma sessão de debate com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, sobre ações da pasta e os casos de desapropriação de terra pelo Brasil.

Identificado como membro da bancada ruralista no Congresso, grupo que reúne grandes agricultores e latifundiários, Caiado fez uma longa explanação com críticas à atuação do ministério e à política de reforma agrária na gestão Dilma Rousseff. Donizeti não gostou e resolveu contestar o colega de Senado, provocando uma gritaria e troca de ofensas entre ambos. O petista mencionou “o líder da UDR [União Democrática Ruralista, fundada em 1985]” e dá início a um bate-boca sobre assassinatos. “Nesse assunto vossa excelência é professor catedrático. Conhecedor profundo de assassinato”, rebateu Caiado.

“E o senhor é profissional em assassinato e em arrecadar dinheiro para mandar matar o trabalhador rural. O senhor, como representante da UDR, arrecadava dinheiro para mandar matar trabalhador rural”, treplicou Donizeti. No meio da confusão, é possível ouvir a senadora Fátima interceder em favor do colega de partido. “Lave a boca para falar do PT!”, vocifera a parlamentar, com o dedo em riste.

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