Brasília faz monumentos e não pensa nas pessoas, diz urbanista

Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, José Galbinski defende que cidade seja planejada com pensamento voltado para as pessoas e não para o espetáculo. Professor participa de debate do Congresso em Foco sobre novos desafios da capital

 

 

 

Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, o professor José Galbinski criticou a falta de planejamento urbano de Brasília. Um dos decanos da área na capital, o professor defendeu que a cidade seja repensada para atender a população em vez. Na avaliação dele, a capital valoriza a cultura de gastar dinheiro em grandes monumentos em vez de priorizar a qualidade de vida de seus moradores. "Em Brasília há sempre uma orientação para o espetáculo. Mas a grande novidade que penso que deveria existir é um planejamento que pensasse nas pessoas", disse Galbinski no debate sobre os novos desafios de Brasília, promovido pelo Congresso em Foco nesta manhã no UniCEUB, em Brasília. O evento marca o lançamento da página do site voltada para a capital do país.

"O DF é grande e as coisas aqui são monumentais. Tem de fazer um estádio monumental, a ponte tem de ser monumental. Se não for, não é para Brasília. Uma ponte (JK), que era para custar R$ 48 milhões, foi concluída com mais de R$ 180 milhões. Quando perguntaram ao Joaquim Roriz (então governador) sobre o custo, ele dizia: 'Eu não construí um ponte, mas um monumento. A partir daí não se falou mais da ponte, mas do monumento", criticou. Por outro lado, lembrou o professor, a cidade tem problemas com calçadas mesmo em áreas mais nobres.
Acompanhe ao vivo a transmissão do debate:

José Galbinski apontou a concentração urbana e econômica como um dos principais desafios do Distrito Federal. "Desde 1981 digo que Brasília precisa iniciar um processo de desconcentração concentrada. Uma desconcentração das atividades do Plano Piloto que, desde aquela época e sempre, tem um volume exagerado de oferta de emprego. É só ir de manhã para ver o que acontece na Estrutural e na EPTG (duas das principais vias de acesso do DF), uma verdadeira massa de veículos que vêm pra cá trabalhar", defendeu Galbinski.

Para ele, os governos do Distrito Federal perdem sistematicamente oportunidades de descentralizar a vida no Plano Piloto, o que aliviaria o trânsito e melhoraria a qualidade de vida dos moradores das demais cidades da unidade da federação. Como exemplo atual, ele citou a construção da Cidade Digital nas proximidades da Asa Norte, um dos principais bairros de Brasília.

O parque da Cidade Digital é considerado uma das apostas do governador Rodrigo Rollemberg para potencializar a área de tecnologia no DF. O governo estima que o projeto resulte na instalação de 1,2 mil empresas e gere 25 mil empregos diretos.
"Tudo tem de ser feito simultaneamente. Não se pode esquecer das pessoas que vivem em uma cidade. Posso e devo pensar nos grandes monumentos. Tenho de pensar no Corumbá (rio) para trazer água. A barragem (do Corumbá) está pronta não sei há quanto tempo e não tem um litro do Corumbá aqui. Tenho de pensar que não é só indústria e agricultura, mas que as pessoas bebem essa água. Tenho de pensar nas calçadas de Brasília, mas aqui há sempre uma orientação para o espetáculo", afirmou.
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