Brasileiro é executado na Indonésia

Fuzilamento é o método para matar condenados à pena capital. Outro brasileiro está no "corredor da morte" pela mesma condenação da justiça indonésia, e deve ser fuzilado em fevereiro

Aos 53 anos, o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte pela Justiça indonésia por tráfico de drogas, foi executado na madrugada deste domingo (18) na Indonésia, segundo a imprensa do país (por volta das 15h30 deste sábado no Brasil). A execução foi confirmada pela Embaixada do Brasil na capital, Jacarta, à 0h45 no horário local (15h45 no horário de Brasília). O método para tirar a vida de condenados à morte naquele país é o fuzilamento.

Instrutor de voo livre no Brasil, Marco foi detido em 2003 depois de tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína camuflados na estrutura de uma asa delta. Ele chegou a fugir do aeroporto, mas foi preso duas semanas depois do flagrante, por meio do serviço de raios-x do aeroporto.

A execução de Marco sinaliza que o mesmo pode acontecer com outro brasileiro, Rodrigo Muxfeldt Gularte. Paranaense Rodrigo tem 42 anos e está preso desde 2004 na Indonésia. Ele também tentou entrar no país com cocaína, e acabou condenado à pena de morte por tráfico de drogas. A execução de Rodrigo pode ocorrer em fevereiro.

Marco Archer foi o primeiro cidadão brasileiro executado por condenação à pena de morte em todos os tempos. Segundo o site do jornal Folha de S.Paulo, ele recebeu a visita da tia Lourdes Archer Pinto na véspera da execução, e dela recebeu doce de leite e mel. Marcos chorou e deu muitos beijos na tia em sua despedida. “O Marco não merece isso”, lamentou Maria de Lourdes, que também chorou muito a morte do sobrinho, segundo a Folha.

Sem clemência

Ontem (sexta, 17), a Secretaria de Imprensa do Planalto (SIP) informou que a presidenta Dilma Rousseff tentou interceder em favor dos brasileiros. Segundo nota da SIP, Dilma conversou com o chefe do Estado indonésio, Joko Widodo, por telefone. Ela disse ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos dois e que respeita a soberania e o sistema judiciário da Indonésia.

Mesmo diante das questões de soberania nacional, Dilma fez o apelo pela clemência como chefe de Estado e mãe. Ela reforçou que no Brasil não há pena de morte e que o pedido tem como base “o sentimento da sociedade brasileira”.

O apelo de Dilma, que desde o início do seu governo enviou cartas ao governo indonésio pedindo clemência, não surtiu efeito. “O Presidente Widodo disse compreender a preocupação da Presidenta com os dois cidadãos brasileiros, mas ressalvou que não poderia comutar a sentença de Marco Archer, pois todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme a lei indonésia e aos brasileiros foi garantido o devido processo legal”, acrescentou a nota da SIP.

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