Escândalo da Petrobras faz Brasil cair 7 posições em ranking de corrupção

Dinamarca é o país em que as pessoas têm a menor percepção de servidores públicos e políticos corruptos, seguida por Finlândia e Suécia, com Coreia do Norte e Somália fechando a lista

O escândalo da Petrobras é considerado o maior responsável pela posição do Brasil de 76º colocado no ranking que mede a percepção de corrupção no mundo. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (27) pela organização Transparência Internacional (TI), analisa 168 países e territórios. O índice brasileiro foi de 38, cinco pontos a menos que em 2014, quando o país ficou em 69º lugar, entre 175 nações. O país piorou a posição e nota, obtendo o pior resultado de um país no relatório 2015, em comparação com 2014.

Além da Petrobras, o documento aponta também problemas na economia e o desemprego como motivos para a queda do Brasil no ranking. O país divide a 76ª posição com mais seis nações: Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia.

“Não é surpresa a deterioração da percepção sobre o Brasil, a partir dos escândalos do mensalão, na construção de estádios e com a investigação da Operação Lava-Jato, que o mundo pode ver como a existência de rede de corrupção incluindo políticos de diferentes partidos, funcionários da Petrobras, muitos empresários e donos de grandes construtoras”, disse Alejandro Salas, diretor regional para as Américas.

Campeã

Em 1º lugar aparece a Dinamarca, como o país em que as pessoas têm a menor percepção de que servidores públicos e políticos corruptos.  Em seguida, vêm a Finlândia e a Suécia. A nação mais transparente registrou um índice de 9, na escala que vai de 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente). Os piores resultados são os da Coreia do Norte e da Somália.

"Os países nas primeiras posições apresentam características comuns que são vitais: altos níveis de liberdade de imprensa; acesso a informação sobre orçamentos que permite à população saber de onde procede o dinheiro e como se gasta; altos níveis de integridade entre aqueles que ocupam cargos públicos", afirma a organização.

Sem surpresa

"Não é surpreendente que o Brasil, afetado pelo maior escândalo de corrupção de sua história pelo caso Petrobras, tenha sido o país da América que mais caiu no índice este ano", assegura o comunicado da organização.

Na América do Sul, a tabela de honestidade aponta o Uruguai como o país mais transparente, no 21º lugar, com índice de 74. O país mais corrupto é a Venezuela, com índice 17, na 158ª posição. A ONG TI, sediada em Berlim, é considerada referência mundial na análise da corrupção. O relatório anual é veiculado desde 1995.

Apesar de a corrupção continuar sendo generalizada, a ONG afirmou que seu novo índice mostra "sinais de esperança", já que o número de países que melhoraram sua pontuação foi maior em relação aos que pioraram.

"É possível vencer a corrupção se trabalharmos juntos; para erradicar o abuso de poder, o suborno, e revelar negociações secretas, os cidadãos devem dizer em uníssono a seus governos que já tiveram o bastante", afirmou em comunicado o presidente da TI, José Ugaz.

Liberdade

Em comum, os países colocados nas primeiras posições apresentam, segundo a TI, características comuns, entre eles o alto nível de liberdade de imprensa, o acesso à informação sobre orçamentos que permite que os cidadãos saibam a origem o dinheiro e como o mesmo é gasto, altos níveis de integridade entre os cargos públicos e um Poder Judiciário independente.

Já os países que vêm nas últimas posições, além de conflitos e guerras, se destacam pela governabilidade deficiente, por instituições públicas frágeis, como a polícia e o Poder Judiciário, e pela falta de independência nos meios de comunicação.

Os novos números mostram que mais de 2/3 dos países apresentam graves problemas de corrupção e por isso não conseguem o mínimo de 50 pontos, casos de metade do G20 e todo o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, a Índia, China e África do Sul).

Ainda segundo a TI, mais de 6 bilhões de pessoas vivem em países com alto índice de corrupção. As regiões de pior qualificação são a África Subsaariana, a Europa Oriental e a Ásia Central, seguidas pelo Oriente Médio, o Norte da África e a América.

A ONG ressalta que na Europa e na Ásia Central o panorama é de "estagnação". A TI se diz “muito preocupada, com a evolução de países como Hungria, Macedônia, Espanha e Turquia, "onde se vê que a corrupção cresce, enquanto diminuem a democracia e o espaço da sociedade civil".

Veja abaixo os principais resultados:

 

Posição País 


Dinamarca
Finlândia
Suécia
Nova Zelândia
Holanda
Noruega
Suíça
Singapura
Canadá
10ª Alemanha, Luxemburgo e Reino Unido
16ª Estados Unidos e Áustria
69ª Brasil, Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia
167ª Coreia do Norte e Somália

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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