Bolsonaro entrega defesa à Corregedoria da Câmara

Mário Coelho*


O deputado Jair Bolsonaro entregou nesta quarta-feira (13) sua defesa nas representações que pedem sua investigação por quebra de decoro parlamentar na Corregedoria da Câmara. Até o momento, são quatro os pedidos de análise da conduta dele. O pepista é acusado de racismo e homofobia por conta de declarações dadas ao programa CQC, da TV Bandeirantes. Com o argumento de que os processos correrem em sigilo, ele não apresentou sua defesa aos jornalistas.

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"Fascismo das minorias"

Bolsonaro disse, porém, que está sendo perseguido pelo ?fascismo das minorias?. Ele reafirmou que entendeu errado a pergunta, confundindo a palavra negra com gay, e que o programa teve 43 dias para questioná-lo novamente sobre o assunto, antes de levar a cena ao ar. O documento entregue à Corregedoria tem 13 páginas. A partir de hoje, o corregedor da Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), tem 45 dias úteis, renováveis por mais 45, para apresentar seu parecer sobre o caso.


A sua defesa pede que a Câmara solicite ao CQC a íntegra das gravações. ?No próprio programa, os apresentadores disseram que eu deveria não ter entendido a pergunta. Eles poderiam ter tido o mínimo de dignidade e ter entrado em contato comigo para esclarecer?, disse o deputado, que ressalta ainda a falta de nexo entre as noções de promiscuidade e racismo. "Meu filho é maior de idade, ele pode namorar quem ele quiser, desde que seja do sexo feminino e não tenha o mesmo comportamento de Preta Gil".


O deputado voltou a falar ainda que não teria orgulho de ter um filho homossexual e atacou projeto de lei que prevê a criminalização da homofobia. "É o fim da família, o fim do respeito. Vocês [jornalistas] também não iam gostar de ter um filho ladrão. Fere os princípios éticos, morais", disse.


As representações foram protocoladas pelos deputados Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro de Igualdade Racial do governo Lula, e Luiz Alberto (PT-BA), pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara e pelo ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Carlos Alberto Júnior. Pelo menos outras duas representações devem chegar ao órgão. Uma elaborada pela procuradora feminina da Câmara, Elcione Barbalho (PMDB-PA), e outra pela seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).


No quadro "O povo quer saber", o deputado foi questionado pela cantora Preta Gil sobre como agiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu", respondeu Bolsonaro.


* Com informações da Agência Câmara

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