Bebianno a Eduardo Bolsonaro: “jamais abri a boca para contar o que sei”

O ex-ministro e ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno negou nesta quinta-feira (14) ter sido desleal ao presidente Jair Bolsonaro e respondeu a acusações feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) no Twitter (leia no final da notícia o texto completo) .

"Repare, nenê, que jamais abri a minha boca para contar o que sei. Critico as asneiras do dia a dia, assim como qualquer brasileiro. Afinal, ao contrário do que você demonstra aspirar, ainda vivemos em uma democracia", disse ao Congresso em Foco.

O terceiro filho do presidente escreveu uma série de mensagens na qual acusa Bebianno de ter sabotado a escolha do candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018.

"Ao contrário do que diz, eu poderia estar no governo até hoje, se quisesse, visto que seu pai me convidou para ocupar a diretoria administrativa de Itaipu, além de outras sondagens posteriores. Como tenho vergonha na cara e não preciso de governo para viver, sugeri que guardassem a oferta em lugar que fizesse rima", afirmou o ex-presidente do PSL.

Na rede social , o deputado do PSL de São Paulo mencionou um dossiê feito contra Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP) e que teria feito Jair Bolsonaro mudar de ideia sobre a escolha dele para candidato a vice.

"Quando JB [Jair Bolsonaro] pagou missão para Bebianno, que só andava com Julian Lemos [deputado do PSL da Paraíba], encontrar um vice todas as tentativas sempre davam errado. General Mourão, PRTB não deixou, general Heleno, PRP não deixou, Janaína Paschoal não rolou, príncipe, falso dossiê. A estratégia era clara, queimar a todos para que na última hora fosse Bebianno o escolhido", escreveu Eduardo Bolsonaro.

Na quarta-feira (13), Bebianno acusou o presidente Jair Bolsonaro de mentir ao atribuir a ele a montagem de um dossiê que teria tirado o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança da condição de candidato a vice em sua chapa em 2018. Em vídeo divulgado, Bebianno desafiou o presidente a se submeter, com ele, a um detector de mentiras. “Eu de um lado, o senhor do outro. Vamos ver quem é o mentiroso? Está aqui feito o desafio. Quero ver se o senhor aceita”, provocou.

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República sugeriu que Eduardo fosse embaixador da Bolívia, país que está em crise depois de Evo Morales renunciar à Presidência após denúncias de fraudes nas eleições.

"Tente a embaixada da Bolívia, talvez dê certo. Quem sabe assim você para de encher o saco e atrapalhar o governo", declarou.

Eduardo foi apontado como Jair Bolsonaro como possível indicado para embaixador do Brasil nos Estados Unidos, mas posteriormente a intenção foi descartada.

Bebianno presidiu o PSL a pedido do próprio candidato em 2018 durante a campanha eleitoral. Perdeu a condição de homem de confiança do presidente em fevereiro, quando foi demitido do governo após entrar em colisão com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente e irmão de Eduardo. Desde então passou a ser alvo da artilharia de bolsonaristas e a revidá-los.

Leia as mensagens publicadas no Twitter nas quais Eduardo Bolsonaro critica Bebianno:

Veja a resposta completa do ex-ministro:

Vou me manifestar pela última vez em relação a esse assunto, uma vez que já disse o que era necessário no vídeo de ontem. Dessa forma, vai aí pela última vez:

Assim como o pai, falta 100% com a verdade. Parece se tratar de uma síndrome familiar. Usam as pessoas, as traem, tentam destruir a sua imagem e ainda se fazem de vítima.

Desafio também o nenê 03 a provar de que forma eu teria atrapalhado a ida de cada um dos quase candidatos que menciona. A família Bolsonaro está acostumada a tratar as pessoas como capachos, e não como amigos. Quem convive de perto sabe. Quero distância!

Ah, outra coisa que o nenê 03 se esquece é que, ao contrário do que diz, eu poderia estar no governo até hoje, se quisesse, visto que seu pai me convidou para ocupar a diretoria administrativa de Itaipu, além de outras sondagens posteriores. Como tenho vergonha na cara e não preciso de governo para viver, sugeri que guardassem a oferta em lugar que fizesse rima. Vai negar também, nenê? Tente a embaixada da Bolívia, talvez de certo. Quem sabe assim você para de encher o saco e atrapalhar o governo.

Em relação a lealdade, essa deve ser sempre uma via de mão dupla. Nem todos nasceram para fazer papel feio e humilhante. Essa é uma opção de cada um. Repare, nenê, que jamais abri a minha boca para contar o que sei. Critico as asneiras do dia a dia, assim como qualquer brasileiro. Afinal, ao contrário do que você demonstra aspirar, ainda vivemos em uma democracia. E essa eu defenderei com a minha própria vida, esteja certo disso. Se pensa que tenho medo de você ou da sua família, está redondamente enganado. “Brasil acima de tudo”, para mim, não é mera retórica eleitoreira.

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