Base e oposição barram investigações na Petrobras ao menos desde 2002, diz delator

Em depoimento, Pedro Corrêa explicou que motivo é único: empresas que detinham os contratos com a estatal e financiavam as campanhas pagavam propina para evitar avanço das apurações. Esquema ocorreu principalmente entre 2002, no último mandato de FHC, e 2009

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) afirmou em depoimento prestado à força tarefa da Operação Lava Jato que pelo menos desde 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, partidos de oposição e da base governista orquestravam alternativas para impedir que comissões da Câmara investigassem a fundo as suspeitas sobre os desvios de dinheiro da maior estatal do país. As informações foram divulgadas pelo Estadão nesta sexta-feira (17).

De acordo com o jornal, desde 1989 todos os colegiados instaurados no Congresso Nacional para investigar a Petrobras não mostraram qualquer medida prática para acabar com o esquema de corrupção. Em depoimento, o ex-deputado explicou que o motivo é único: empresas que detinham os contratos com a estatal e financiavam as campanhas políticas dos parlamentares destinavam dinheiro de propina para que deputados e senadores evitassem que as apurações avançassem, principalmente em 2002 e 2009.

“Os partidos comprometidos com a Petrobras, tanto da base aliada, quanto da grande maioria da oposição, eram devedores aos empresários que financiavam suas eleições no Estados e tinham negócios com a Petrobras”, relatou.

“Sempre que se pretendeu investigar a Petrobras, por meio de comissões parlamentares de inquérito os partidos ‘manobravam’ para a escolha do presidente e relator (da CPI), indicando parlamentares comprometidos com a Petrobras para que as investigações resultassem sempre em relatório final favorável à empresa”, acrescentou o ex-deputado.

Pedro Corrêa disse ainda que a mesma operação foi adotada na Comissão de Minas e Energia, responsável por investigar o setor elétrico e a Petrobras. O delator contou que quando havia incidentes na Petrobras “amplamente explorados pelos meios de imprensa”, como vazamentos de óleo ou incêndios em plataformas de exploração de petróleo, os membros dos colegiados “montavam um esquema de proteção para dar sustentação ao depoimento do referido dirigente da estatal”.

O ex-deputado admitiu, durante depoimento, ser o responsável por arrecadar os recursos ilícitos destinados ao PP. O intuito, de acordo com Corrêa, era pressionar os políticos da legenda, membros de comissões, para que eles pudessem “aliviar as investigações”.

 

A reportagem também mostra que, em encontro com o presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares, Pedro Corrêa ouviu do executivo que havia sido repassada propina de R$ 10 milhões para o ex-senador tucano Sérgio Guerra (falecido em 2014) – valor já citado por outros delatores da Lava Jato – e outros R$ 9 milhões para o hoje governador do Rio Francisco Dornelles (PP). Corrêa, que era próximo de Guerra, disse ter confirmado com o então deputado o recebimento da propina para a legenda.

O montante, de acordo com Corrêa, foi dividido entre o hoje senador Álvaro Dias (PV-PR), eleito pelo PSDB, e o então senador Aloizio Mercadante (PT-SP). A partir desses pagamentos, mais uma CPI (2010) foi encerrada sem apontar qualquer irregularidade.

Leia a íntegra da matéria do Estadão

 

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