Banco suíço diz ser falso extrato de conta de Romário

Senador sobe à tribuna para protestar contra reportagem que o apontou como dono de "pequena fortuna" na Suíça. Revista vai ter de responder às Justiças brasileira e suíça, diz ex-jogador

O banco suíço BSI registrou em carta (veja reprodução abaixo) que o suposto extrato bancário do senador Romário (PSB-RJ) publicado na imprensa brasileira é falso e, em razão de sua divulgação, anunciou abertura de queixa penal no Ministério Público de Genebra. A instituição financeira enviou comunicado ao próprio parlamentar por meio do qual garante que ele não é o titular da conta, como havia afirmado reportagem da revista Veja há duas semanas. As informações foram veiculadas em primeira mão na noite desta quarta-feira (5) pelo site do jornal O Estado de S. Paulo.

Ainda segundo o banco suíço, diversos “delitos penais graves” foram cometidos com a divulgação do falso extrato, principalmente falsificação de documentos. Na queixa penal, o BSI afirma que “pode estabelecer com certeza que o extrato da conta é falso e que o senhor Romário de Souza Faria não é, portanto, titular de dita conta em nosso banco na Suíça”.

Romário tem explorado o assunto nas redes sociais, principalmente o Facebook, e chegou a ironizar a reportagem de Veja , publicada no último dia 25. Dizendo-se feliz por ter “descoberto” a dinheirama, Romário foi ao Facebook e lá registrou imagem de um extrato do BSI em seu nome, no que seria a comprovação de que a reportagem estava errada. O parlamentar sobrepõe à imagem a palavra “falso” carimbada.

Hoje (quarta, 5), Romário voltou à carga. Além de ter novamente usado as redes sociais em sua defesa, o senador foi à tribuna do Senado para discursar contra a revista. E, remetendo ao estilo das épocas de centroavante, contra-atacou.

“Não posso dizer que fiquei totalmente surpreso com esse ataque, porque eu sabia que isso iria acontecer. Assumi recentemente a presidência da CPI do Futebol e, ao mesmo tempo, as pesquisas de opinião mostram meu nome à frente na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A partir do momento em que se mexe com interesses de pessoas poderosas, corruptas e safadas, passamos a sofrer intimidação e difamação, uma prática comum desse pessoal”, discursou.

No Facebook, depois do discurso no Plenário do Senado, Romário avisou que a revista não responderia pela reportagem apenas para as autoridades da Suíça, mas também perante a Justiça brasileira. “Nos últimos dias tive uma amostra, embora essa não tenha sido a primeira, do que há de pior no  jornalismo, que se manifesta quando alguns profissionais pensam que detêm a exclusividade da informação e da verdade. Esse pensamento arrogante, aliado ao mau-caratismo e movido por interesses escusos, pode ter efeitos devastadores na vida de qualquer cidadão, especialmente quando praticado por um grande veículo de comunicação. Foi isso que a revista Veja fez ao publicar um extrato falso de uma suposta conta que que teria na Suíça”, completou.

O senador fez diversos registros no Twitter. Em um deles, voltou a dar recado aos detratores. “[...] se acharam que a matéria me intimidaria, se enganaram completamente. Não fujo de briga e sempre cresci nas guerras”, escreveu, reproduzindo trechos do discurso que fez na tribuna do Senado.

“Pequena fortuna”

Na reportagem em questão, a revista informa que o “Baixinho” possui conta milionária no exterior no banco suíço, com 2,1 milhões de francos em caixa, o equivalente a R$ 7,5 milhões. A “pequena fortuna”, segundo a menção de Veja, não foi declarada à Justiça Eleitoral. A matéria diz ainda que a aplicação do dinheiro que seria de Romário foi feita em 2013. Essa afirmação também já havia sido questionada pelo ex-jogador de futebol no Facebook: “Certeza que eu não fiz nenhuma aplicação no período recente. Também não recebi nenhuma notificação do Ministério Público a respeito. Mas como se trata da revista Veja, se a informação estiver errada, não será uma surpresa”, escreveu o parlamentar.

Reprodução
Com os desdobramentos do assunto, a imprensa descobriu que uma operação de compra do BSI, por parte do banco brasileiro BTG, ainda não foi concluída, e que o irmão do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está entre os acionistas do BTG. Romário tem relacionado o caso ao fato de presidir a CPI da CBF e liderar a corrida da sucessão a Paes, que nega qualquer tipo de responsabilidade no caso.

 

 

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