Atos perdem fôlego, mas ainda se espalham pelo país

Os protestos ocorreram em quase 200 cidades em todo o Brasil. O maior número de manifestantes foi registrado em São Paulo: 275 mil, segundo a PM

As manifestações deste domingo contra a corrupção e contra o governo Dilma Rousseff (PT) reuniram em torno de 595 mil pessoas em todo o país, segundo dados da Polícia Militar. O número representa pouco mais de 30% da quantidade de manifestantes do dia 15 de março. No mês passado, as mobilizações reuniram quase 2 milhões de pessoas em todo o país, de acordo com a polícia.

O governo federal evitou se pronunciar oficialmente sobre as mobilizações deste domingo, mas interlocutores da presidente Dilma evitaram comemorar a redução do número de pessoas nas ruas. Eles acreditam que a redução do número de manifestantes não necessariamente simboliza uma maior satisfação com o governo. Apesar disso, os ativistas de internet ligados à Dilma fizeram um "tuitaço" a favor da presidente. A hashtag "#AceitaDilmaVez" chegou a entrar nos assuntos mais comentados do Twitter durante algumas horas e foi o terceiro mais usado em todo o mundo durante a tarde.

Os protestos ocorreram em quase 200 cidades em todo o Brasil. O maior número de manifestantes foi registrado em São Paulo: 275 mil, segundo a PM. Apesar da multidão, o número de manifestantes que participaram dos atos na Avenida Paulista foi bem inferior ao registrado em 15 de março. Na ocasião, a PM paulista disse que mais de 1 milhão de pessoas estavam na Avenida Paulista protestando contra o governo.

A segunda maior concentração ocorreu em Curitiba, no Paraná, onde 40 mil pessoas foram às ruas pedir a saída da presidente Dilma e protestar contra a corrupção. Em Porto Alegre, os protestos reuniram 35 mil pessoas. Em Vitória, outras 30 mil e em Brasília, mais de 25 mil, conforme a PM.

No Rio de Janeiro, os atos contra o governo Dilma Rousseff concentram 10 mil pessoas. Em Belo Horizonte, outras 6 mil pessoas e Belém, no Pará, de outras 5 mil.

Em todo o país, os atos pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a redução de 50% do número de ministérios e cobraram medidas de combate à corrupção. Houve manifestações a favor da Operação Lava Jato e aplausos ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pelas investigações e até pessoas que pediram a extinção do PT. Houve também pedidos pontuais de intervenção militar e outras reivindicações inusitadas, como a volta do voto em papel em Ribeirão Preto (SP).

Os protestos começaram cedo e se estenderam até o início da noite. Na capital federal, as mobilizações começaram por volta das 9h30 e terminaram aproximadamente às 12h, uma hora e meia antes do previsto. O sol forte atrapalhou as mobilizações.  O tempo também foi o responsável por atrasos nas manifestações em São Luís, no Maranhão, onde, por causa das chuvas, o início do protesto sofreu um atraso de uma hora.

André Araújo, 34, foi ao ato deste domingo na Avenida Paulista porque considera a condição atual do país inaceitável e elencou como principais problemas a corrupção, a má gestão, o desperdício dos recursos públicos, o aumento dos impostos, a inflação e a má condução da economia. “A manifestação é uma maneira da população se expressar e isso ecoar para outras pessoas. Isso tem uma repercussão na mídia, nas cidades do interior, para as pessoas que também compartilham dessa opinião”, disse Araújo.

A aposentada Julia Maria, 78, se manifestou contra a corrupção e por causa da falta de serviços públicos que atendam às necessidades do povo. “Eu não tenho saúde, não tenho educação, não tenho segurança, não tenho nada. Não tem nada de satisfatório. É péssimo em todos os setores, federais, estaduais e municipais”, disse. Ela deseja que o país invista na educação e na cultura, principalmente.

Marta Matos, 52, também está insatisfeita com serviços públicos e a corrupção e disse que o governo precisa respeitar a população e trabalhar pelo povo. “Não quero ‘Fora Dilma’, não quero impeachment, só quero que [os governantes] tenham vergonha na cara e comecem a agir como políticos que eles são”, disse.

Em Brasília, manifestantes chegaram a pedalar por 30 quilômetros para chegar até a Esplanada dos Ministérios. Esse foi o caso do funcionário público André Silva, morador da cidade satélite de Ceilândia Norte, localizada a 30 quilômetros da capital federal. Com uma bandeira do Brasil nas costas, ele recebia o apoio de vários motoristas no translado entre Ceilândia e Brasília. “Chega de tanta corrupção, tanta injustiça e tanta exploração”, disse Silva.

Ele estava acompanhado do amigo, também funcionário público, Renê Lira. Mas Lira mora na cidade Satélite da cidade de Águas Claras, distante 25 quilômetros de Brasília. “Estou protestando contra algumas decisões erradas que tomamos em conjunto. Mas agora não dá mais. Estamos nos mobilizando para tentar mudar alguma coisa”, afirmou Lira.

Em todo o Brasil, as mobilizações ocorreram sem grandes transtornos. Em Brasília, duas pessoas foram presas. Uma por estar portando um facão; e outra por incitação à desordem pública. Ainda em Brasília, dois grupos de manifestantes em Brasília entraram em confronto, quando a marcha começava a ocupar a frente do Congresso Nacional. A briga começou por que algumas pessoas se irritaram com um grupo ligado à Ordem Dourada do Brasil, formada por militares da reserva que defendem a “intervenção militar Constitucional”.

No Rio de Janeiro, dois manifestantes do PT foram escoltados por policiais ao defender o governo em meio aos protestos na orla de Copacabana. Em São Paulo, uma manifestante foi presa por tirar a roupa perto de um dos carros de som utilizados nas mobilizações.

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