Atos anti-impeachment são realizados em todo o país

Segundo órgãos de segurança pública, 160 mil foram às ruas contestar a deposição de Dilma. Já organizadores dizem que atos reuniram 825 mil. Cunha, Aécio, Temer, Moro e até a Rede Globo foram alvo de protestos

Treze dias depois das mais recentes manifestações nacionais pró-governo, milhares de manifestantes voltaram às ruas do país nesta quinta-feira (31) contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e para protestar quem eles classificam como os artífices do “golpe” – entre os quais o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância; a oposição e o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB; ao vice-presidente da República, Michel Temer, acusado por governistas de conspiração; e a Rede Globo, grupo de comunicação que, segundo os defensores do governo e do PT, fazem campanha midiática contra as gestões petistas. Os atos de apoio a Dilma e ao ex-presidente Lula – que hoje obteve uma vitória no Supremo Tribunal Federal (STF) – foram realizados em todo os estados e no Distrito Federal, promovidos por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Frente Brasil Popular (FBP), a União Nacional dos Estudantes e a Frente Nacional de Luta (FNL).

Ao todo, de acordo com órgãos de segurança pública, quase 160 mil pessoas foram às ruas contra o impeachment. Já os organizadores dizem que esse número chegou a cerca de 825 mil em todo o país. A mobilização nacional ganhou o nome de Jornada Nacional de Lutas, liderada pela FBP e pela Frente Povo Sem Medo.

Segundo boletins atualizados no fim da noite desta quinta-feira (31), Brasília foi a capital que recebeu a mais numerosa manifestação pró-governo, com 50 mil pessoas, de acordo com órgãos de segurança pública. Já os  organizadores dos atos falam em 200 mil manifestantes reunidos no centro da cidade.

No Rio de Janeiro, os apoiadores de Dilma e Lula se concentraram ao redor de um palco no Largo da Carioca, no centro da cidade, onde shows musicais e performances artísticas foram realizadas. Segundo os organizadores,  80 mil pessoas participaram do evento. Não houve divulgação de estimativa oficial por órgãos fluminenses. O município de Campos dos Goytacazes também foi palco de manifestação.

Em São Paulo, a multidão se concentrou na Praça da Sé, no centro da capital paulista. Lá se reuniram, segundos os organizadores, 60 mil pessoas. As instituições paulistas também não divulgaram números sobre o ato. Protestos contra o impeachment foram realizados em outros cinco municípios do estado (Bauru, Campinas, Piracicaba, Sertãozinho e São José do Rio Preto).

Capital federal

Mais cedo, este site mostrou que Brasília registrou uma das mais numerosas manifestações pró-governo. Uma das concentrações teve início às 9h em frente ao Estádio Mané Garrincha, na região central da cidade e a cerca de três quilômetros do Congresso. Os manifestantes partiram de quatro pontos diferentes da cidade e convergiram na vasta área gramada em frente ao Congresso.

Às 17h, milhares de manifestantes se deslocaram para a Esplanada dos Ministérios, onde artistas como Ziraldo e Letícia Sabatella, além de líderes sociais e políticos, fizeram discursos contra o impeachment em trios elétricos. De acordo com os organizadores, houve atraso na chegada de algumas caravanas porque os processos de revista, feitos pela Polícia Militar em ônibus que chegavam a Brasília, demorou mais que o previsto.

Apesar de os organizadores do movimento terem divulgado que o ex-presidente Lula estaria presente e faria, inclusive, discurso para a multidão, o esperado não aconteceu. Pouco antes de os manifestantes chegarem da passeata, foram divulgadas informações de que Lula teria voltado para São Paulo.

“Pulha”

Envolvidos no ato estimaram cerca de 100 mil participantes nas ruas da capital federal, enquanto a Polícia Militar divulgou um número bem menor: 50 mil protestantes no horário de pico da passeata “contra o golpe”. Ao se aproximar do Congresso, militantes estenderam uma faixa verde e amarela que foi carregada ao longo de todo o percurso – o ato percorreu toda a Esplanada dos Ministérios, terminando no gramado em frente ao Congresso. Nas laterais do prédio, panos vermelhos formaram o nome do ex-presidente Lula. Com gritos de "Não vai ter golpe, vai ter luta!", manifestantes se aglomeraram em volta dos carros de som.

O filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart, também participou da manifestação, e fez discurso em um dos carros de som utilizados no ato. "Hoje é um dia muito caro para mim. Em 64, nesse mesmo dia, foi derrubado um governo e hoje, um pulha chamado Eduardo Cunha está derrubando a liberdade no Brasil", disse.

Lula Marques/Agência PT
Balões da CUT foram inflados e, junto às bandeiras e fogos de artifício, compuseram o cenário. Com um aparelho de projeção a laser, integrantes dos movimentos sociais iluminaram as torres do Congresso com os dizeres "Não vai ter golpe" e "fora, Cunha". Militantes fizeram coro à menção feita ao deputado peemedebista.

O encontro dos militantes pró-governo não teve maiores incidentes. O grupo evitou confronto com as Polícias Legislativa e Militar, que se organizaram para conter os ânimos durante o protesto. Os policiais fizeram linhas de contenção nas entradas principais do Parlamento. Apesar de a tropa de choque da PM ter se deslocado até o local, não foi preciso o emprego da força. A cavalaria da PM também foi acionada.

Artistas

Ainda no começo de uma das aglomerações em Brasília, o sol intenso fez alguns manifestantes utilizarem os espelhos d'água do Congresso para se refrescar. Muitas famílias foram à manifestação.

Na manhã desta quinta-feira (31) artistas e intelectuais também se manifestaram contra o impeachment. Batizado de “Pela Legalidade e em Defesa da Democracia”, o ato no Palácio do Planalto reuniu ainda participação de advogados, promotores e defensores públicos contrários ao processo de deposição presidencial. Eles demonstraram apoio ao mandato de Dilma com discursos, vídeos e notas de apoio.

Os organizadores tentaram veicular um vídeo com pronunciamento do ex-presidente Lula para os presentes, mas problemas técnicos suspenderam a apresentação. Ao invés das imagens, optaram ainda por divulgar apenas o áudio do material, mas mesmo assim não foi possível transmitir a fala de Lula.

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