Assassinato de Marielle domina debate sobre presidenciáveis nas redes durante a semana

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Postagens sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco no Twitter colocou, pela primeira vez, nomes associados à centro-direita e à direita no mesmo núcleo dos candidatos do espectro político oposto, aponta relatório da FGV

 

 

O debate político nas redes sociais durante a semana foi dominado pelas reações ao assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol). O relatório da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP) apontou que o caso teve impacto expressivo nos debates envolvendo presidenciáveis e as eleições de 2018. Foram mais de 150 mil postagens no Twitter envolvendo os candidatos ao Planalto e a execução de Marielle.

 

 

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A FGV-DAPP constatou que, à exceção e Jair Bolsonaro (PSL) e seus filhos, nomes associados à centro-direita e à direita se uniram aos candidatos do espectro político oposto no debate sobre o assassinato. Foi a primeira vez que se observou esse tipo de convergência na polarização do debate político no Twitter. Entre as 22h de 14 de março e 0h de 21 de março, a FGV-DAPP identificou 156,8 mil postagens que associavam o assassinato da vereadora do Psol aos presidenciáveis no Twitter.

 

Mesmo sem explicitamente defender o legado ou as pautas defendidas por Marielle, os presidenciáveis se uniram no sentimento de solidarização e lembrança sobre a postura da vereadora em defesa dos direitos de minorias e de oposição a excessos das forças de segurança.

 

Pelo menos 40% dos 126.254 retuítes se encaixaram nessa posição, mobilizando os perfis de Boulos e Manuela, além de Geraldo Alckmin (PSDB), João Amoêdo (Novo) e Rodrigo Maia (DEM) (veja imagem abaixo). Em 25% dos retuítes analisados havia questionamentos sobre as motivações vinculadas ao assassinato de Marielle e críticas à agenda defendida por Marielle. Os perfis dos quatro Bolsonaro na política se enquadram nesse grupo.

 

Em outros 30% das mensagens, a tônica era de críticas a Bolsonaro, publicadas por um grupo que não é explicitamente favorável a nenhuma candidatura. Nessa parcela dos internautas, os presidenciáveis não têm tanta força influenciadora. Eles também consideraram que fazia sentido usar o assassinato da vereadora do Psol  para dizer que a intervenção federal no Rio é uma necessidade.

 

 

As referências a Bolsonaro, único entre os pré-candidatos a não se manifestar sobre o caso, formaram a maior associação a Marielle no período estudado. Foram 80,9 mil tuítes que mencionaram a vereadora e Bolsonaro e seus filhos. As mensagens foram tanto de cobranças e críticas à ausência de posicionamento quanto a apoio ao candidato.

O impacto proporcional mais notável entre os presidenciáveis, de acordo com o estudo, foi nas postagens sobre Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Ambos fizeram diversas postagens criticando as informações falsas que foram espalhadas sobre a vereadora e incentivando a mobilização em torno do legado de Marielle. Pelo menos 40% das postagens sobre Boulos e 23% sobre Manuela também envolveram referências a Marielle.

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