Arthur Virgílio: economia medíocre enjaulou governo

Após dois anos de ostracismo, ex-senador volta à cena nacional com fortes críticas à política econômica. Para ele, “medidas do ministro Mantega são paliativas, muitas delas são nocivas”

A poucos dias de tomar posse como prefeito de Manaus, o tucano Arthur Virgílio Neto mostra que não perdeu a verve que o notabilizou como um dos mais ferrenhos críticos do governo Lula no Senado na legislatura passada (de fevereiro de 2003 a janeiro de 2011). Em 2009, contrariado com a recusa da base aliada em instalar uma CPI, chegou a “invadir” a Mesa do Plenário do Senado, acompanhado pelos colegas de partido Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE). Faixa preta de jiu-jítsu, bradou diante de um plenário quase vazio, ocupado por cinco ou seis senadores e policiais legislativos impotentes diante do instituto da imunidade parlamentar. “Quero ver quem vai me tirar daqui!”, desafiou Arthur Virgílio, que aos 67 anos de idade acumula no currículo vários cargos de destaque (entre eles, a liderança do PSDB no Senado e o cargo de ministro de FHC).

 

Em 2010, foi derrotado ao tentar se reeleger, mas reencontrou a vitória eleitoral em outubro, ao conquistar 603.483 votos (66% dos votos válidos) na disputa contra a senadora Vanessa Grazziotin (PCboB-AM). Semana passada, após  voltar ao Senado para representar o pai, Arthur Virgílio Filho (1921-1987), na devolução simbólica de mandatos dos senadores cassados pela ditadura militar, deu uma entrevista ao Congresso em Foco que deixou claras duas coisas.

Clique aqui para ler a entrevista de Arthur Virgílio Neto

A primeira é que o ex-senador está bastante atualizado sobre as discussões de fim de ano do Congresso, temperadas por questões como royalties do petróleo, orçamento e redução das tarifas de energia. A segunda é que a política econômica do governo Dilma Rousseff se transformou no seu principal alvo de críticas – e críticas pesadas – em relação à administração federal.

Ele aponta sua mira, principalmente, para o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Qualifica como “paliativas e muitas delas nocivas” as medidas anunciadas por Manter para tentar estimular a economia. “O que vai impulsionar o crescimento econômico é termos as prefeituras trabalhando a pleno vapor, e não massacradas, e termos os governos de estados também a pleno vapor, e não restringidos”, diz Arthur Virgílio.

Mas o problema não é só Mantega. O prefeito eleito acredita que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “perdeu um pouco o controle das coisas”. Ele analisa: “Os juros caíram, e aí? Menos de 1% de crescimento neste ano. O crédito se esgotou, o modelo está esgotado. O governo vira, mexe e remexe e não consegue impulsionar o desenvolvimento econômico”.

O ex-senador completa: “Se a presidente quer sair desse crescimento medíocre em que está enjaulado o governo dela, tem três caminhos a fazer. Um, estrutural, muito claro, é promover um novo pacto federativo ainda no governo dela. O segundo: retomar as reformas estruturais, e eu digo a ela como quem já viveu esse processo por dentro – tira votos, traz antipatias, mas alavanca o crescimento do Brasil. E o terceiro: simplesmente pegar toda essa massa de dinheiro que está entocada, enfurnada nos ministérios e liberar os recursos para prefeituras e governos de estado que tenham projetos hábeis”.

Apesar das críticas, acredita que sua relação com o Planalto será a “melhor possível”: “Numa democracia não se pune o povo, o povo elege quem quer. Em Manaus, decidiu me eleger. Creio que minha obrigação seja trabalhar e honrar os compromissos, bem como é obrigação do governo federal ajudar no meu trabalho, para que eu cumpra meus compromissos. O nome disso é republicanismo”.

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