Arruda deixa o DEM e desiste de eleição em 2010

Thomaz Pires e Edson Sardinha


O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, anunciou há pouco a sua desfiliação do Democratas e que não disputará as eleições de 2010. Arruda disse que tomou a “difícil decisão de deixar a vida partidária” para evitar “constrangimento” aos colegas do DEM, que preparavam sua expulsão do partido.


“Com esse gesto, evito o constrangimento de companheiros do partido, divididos entre saciar a sede da mídia ou me conferir o amplo e legítimo direito de defesa. Vou concluir o mandato que me foi dado pela vontade popular.”


No pronunciamento, feito há pouco na residência oficial de Águas Claras, o governador voltou a alegar inocência e disse que pretende cumprir todos os compromissos de campanha até o último dia de seu mandato. Arruda não abriu espaço para pergunta dos jornalistas.


“Tomo a difícil decisão de sair da vida partidária. Não disputarei as eleições do próximo ano. Quero cumprir todas as metas do meu governo. Como cidadão, vou lutar para mudar certos usos e hábitos da vida brasileira”, afirmou.


O governador disse ser vítima de uma “farsa” montada por adversários interessados em tirá-lo da disputa eleitoral de 2010. “Essas farsas marcam negativamente a vida brasileira. Não consegui extirpar completamente essas pessoas responsáveis pela farsa. Tenho agora essa oportunidade. Vou poder administrar Brasília desinteressado na eleição que vem”, declarou.


Segundo ele, as imagens anexadas ao inquérito da Operação Caixa de Pandora, que o aponta como articulador de um esquema de pagamento de propina a aliados, mostram irregularidades do governo anterior. “Nas últimas semanas fomos submetidos a um espetáculo de cenas montadas com fatos ocorridos no governo anterior para que pareça que tudo aconteceu no presente. Os cortes que fiz em despesas do governo hoje se voltam contra nós.”


Arruda fez alusão a denúncias que envolviam o governo de seu antecessor, Joaquim Roriz. “No meu governo não tem grilagem de terra, transporte pirata. Não posso permitir que essas conquistas se percam. Temos mais de 2 mil obras em andamento. Vamos concluir todas. Tenho a responsabilidade de preparar a cidade para a Copa do Mundo e seu cinquentenário.”


O governador disse que vai dedicar o restante do mandato para defender sua honra. “Sem o clima emocional que marca este momento, quero me dedicar inteiramente a trabalhar por Brasília, defender a minha honra e o mandato de governador que me foi outorgado pela vontade popular”, declarou.  

Leia o discurso na íntegra:

Nas últimas semanas fomos submetidos a um triste espetáculo de cenas e imagens montadas com óbvias motivações políticas. Fatos ocorridos há mais de três anos, ainda no governo anterior, foram embaralhados para incutir na opinião pública a impressão de que tudo se passa no tempo presente.


Os violentos cortes de despesas públicas que fizemos e a retirada de pessoas dos cargos estratégicos que ocupavam na administração do GDF havia oito anos, obviamente, contrariaram interesses pessoais, políticos e empresariais, que hoje se voltam contra nós pelos caminhos das armadilhas, das insinuações e dos mais vis expedientes.


A farsa montada foi o recurso usado pelos meus adversários para me tirar da disputa de 2010. Tudo porque as pesquisas eleitorais me davam ampla vantagem. As práticas políticas que marcam negativamente a vida brasileira, infelizmente - devo admitir - são herança que, agora vejo com clareza, não consegui extirpar completamente como gostaria e como era meu dever.


Tenho, neste momento, a chance de fazê-lo, a começar por uma completa apuração dos fatos e pela missão de governar Brasília desinteressado de qualquer tipo de resultado eleitoral.


Em três anos, foram 2 mil ônibus novos sem nenhum aumento de passagem. Em mil dias, construímos mil salas de aula. São 200 escolas e 50 mil alunos em Educação Integral.


São três anos sem nenhuma invasão de área pública ou privada, sem grilagem de terras, sem transporte pirata. A cidade voltou para o caminho do crescimento organizado.


Não posso permitir que essas conquistas sejam postas a perder, que a administração pública seja paralisada e a população do DF prejudicada. Estamos com mais de 2 mil obras em andamento, e vamos concluir todas elas.


O sistema viário está sendo inteiramente reformulado e as 12 cidades mais pobres estão sendo totalmente urbanizadas. Temos a responsabilidade e o dever de preparar a capital do País para ser sede da Copa do Mundo de 2014.


Estamos às vésperas do cinqüentenário da cidade. Para enfrentar esses desafios e garantir a conclusão de todas as obras, tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária, desligando-me, neste momento, do Partido Democratas.


Não disputarei a eleição do próximo ano. Repito: Não disputarei a eleição do próximo ano. Quero dedicar-me inteiramente à tarefa de cumprir, como governador, todos os compromissos e metas assumidos no programa de governo.


Como cidadão, vou lutar pela mudança definitiva de certos usos e costumes da política brasileira. Com as atuais regras eleitorais, não disputarei mais nenhuma eleição.


O País necessita de uma ampla e profunda reforma política. Com esse gesto, evito o constrangimento dos meus amigos e companheiros do partido, de ter que decidir entre saciar a sede por atos radicais e midiáticos ou julgar com amplo direito de defesa e cumprimento dos prazos estatutários. Evito, também, o constrangimento de uma discussão judicial de mérito para permanecer na legenda.


Evito, ainda, o constrangimento dos meus amigos que lamentam o surgimento de tão graves suspeições porque reconhecem os resultados de uma gestão que está construindo uma Brasília melhor.


Quero, agora, me dedicar às questões administrativas do governo, livre para fazer minhas opções. Assim, sem o clima passional que marca este momento, quero me dedicar inteiramente a trabalhar por Brasília, defender a minha honra e o mandato de governador que me foi outorgado pela vontade popular.

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