Aprovado dá dicas de como conquistou uma vaga em agência reguladora

Hoje servidor da Antaq, ex-candidato priorizou estudo de matérias específicas no concurso em que provavelmente poucos conheciam assunto com profundidade

A retomada dos concursos, que ficaram congelados em 2011, deve beneficiar agências reguladoras. De acordo com um levantamento feito pelo SOS Concurseiro-Congresso em Foco, baseado em dados do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) só estas autarquias especiais demandam mais de 3,2 mil servidores e muitas vagas devem ser preenchidas ainda este ano.

São vagas para profissionais de nível médio e superior em carreiras novas, pouco conhecidas e bem atraentes. Para o presidente da Associação Nacional de Apoio aos Concursos (Anpac), Ernani Pimentel, as agências reguladoras têm um papel econômico cada vez mais importante. “São elas que orientam a gestão de seus respectivos setores”, afirma.  Ele lembra que os servidores dessas agências têm um bom status profissional com as mesmas condições de servidores de outros órgãos. “Eles contam com todos os benefícios comuns ao serviço público, como assistência médica e odontológica. Muitas pessoas não se dão conta disso e acabam não dando importância para as oportunidades”, diz. Pimentel acrescenta que essa é uma impressão equivocada. “Aqueles que analisam de perto as carreiras acabam percebendo que são oportunidades promissoras. Neste ano haverá muitas vagas e todos devem estar focados nessas oportunidades”, afirma.

Rodrigo Trajano é especialista em regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) desde 2006 e aponta os fatores que chamaram a sua atenção no momento de escolher a carreira. “O primeiro foi o fato de ser um concurso de nível superior para todas as graduações em que poucas pessoas conheciam sobre a matéria específica”, afirma. O que era uma deficiência virou diferencial: “Eu não sabia o conteúdo, mas meus concorrentes deveriam ter o mesmo nível de conhecimento que eu”. Outro ponto foi a banca responsável pelo concurso, o Cespe. “Isso facilitaria para mim que já era familiarizado com o tipo de prova aplicado pela organizadora”.

Durante a preparação, Rodrigo teve dificuldade em encontrar fontes sobre matéria específica. “A partir da publicação do edital, passei quase um mês pesquisando os assuntos que seriam cobrados na prova específica na internet, na biblioteca da UnB e na própria biblioteca da Antaq. Como eu tinha pouco tempo para estudar, dei maior foco na legislação”, lembra-se. Sua estratégia era simples: aprofundar em assuntos específicos para aumentar as chances de aprovação. “Caso eu passasse três meses estudando português ou inglês, minha nota passaria no máximo de 70% para 80%. Já com uma boa base em legislação, aumentaria minhas chances de passar”, explica.

Para ele, também foi determinante se preparar para a prova discursiva. “Ao final de cada dia de estudo eu imaginava um tema de redação sobre a matéria que eu havia estudado. Então, baseado nesse tema, eu preparava a estrutura do texto, anotando os tópicos que eu abordaria na introdução, desenvolvimento e conclusão”, conta.

Já há alguns anos na ativa, ele comenta que a Antaq é uma instituição nova e relativamente pequena, com mais ou menos 600 servidores. Para o especialista, isso acaba sendo uma vantagem, pois as rotinas e procedimentos da agência ainda estão em formação. “Há espaço para que os novos servidores opinem e participem ativamente dos processos decisórios da agência. Entretanto, apesar de receber o título de "especialista em regulação", é necessário ao novo servidor ter humildade para valorizar o trabalho de quem já está no setor há muitos anos”, aconselha.

Em 2006, quando Rodrigo prestou concurso, o salário não era dos mais atraentes. No entanto, a campanha salarial ocorrida no ano seguinte acarretou em um aumento de quase 100%. “Desde então, não houve nova recomposição salarial e as perdas com a inflação de 2008 para cá já chegam a perto de 28%”, lamenta.

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