Após prisão, oposição quer convocar Renato Duque na CPMI

Requerimento era para ter sido votado na sessão de terça-feira, mas acabou não analisado por falta de quorum. Para oposicionistas, ex-diretor de Serviços foi blindado pelo governo

Após a prisão do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque na nova fase da Operação Lava Jato, a oposição pretende retomar a pressão para que ele seja convocado a prestar depoimento na próxima sessão da CPMI da estatal no Congresso. Na terça-feira (11), quatro requerimentos estavam em pauta, mas não foram votados por falta de quorum. Para oposicionistas, ele foi “blindado” pelo governo.

“Já sabíamos do envolvimento de Duque no petrolão. Por isso ainda queremos convocá-lo. Mesmo preso, ele terá que ir a CPI da Petrobrás”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). Na visão dele, ocorreu uma “operação abafa” para que Duque não fosse convocado pela comissão. Na semana retrasada, um acordo selou que nenhum político ligado a partidos seria convocado.

Para o líder do DEM, a prisão do ex-diretor reforça a intenção dos governistas em não dar quorum com intenção de evitar a convocação. Mesma opinião tem o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). “Com seus atos, o PT demonstra que, além de não combater a corrupção, está se tornando o maior encobertador de bandidos do país!”, escreveu o tucano na sua página no Facebook. Duque é apontado como interlocutor do PT no esquema de propina existente na estatal.

São quatro requerimentos pedindo a convocação de Renato Duque na CPMI da Petrobras. Três dos oposicionistas Carlos Sampaio, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do líder do PPS, Rubens Bueno (PR), e um do deputado Afonso Florence (PT-BA). “O fato é que a suspeita lançada em relação à conduta do sr. Duque demanda esclarecimentos que somente sua oitiva pode fornecer”, disse o petista no requerimento, após citar depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Na terça-feira, deputados e senadores ouviram o gerente de contratos da Petrobras, Edmar Diniz de Figueiredo. Na seqüência, oposicionistas pretendiam votar requerimentos de convocação. Entre eles os relacionados com Duque. No entanto, como o quorum estava baixo e a ordem do dia no Senado havia começado, o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), acabou encerrando a sessão.

A decisão acirrou os ânimos. Oposicionistas subiram o tom contra Vital. “O senador Vital está assumindo a desmoralização do Congresso Nacional! Isso é uma desmoralização! Vocês têm que assumir essa vergonha! Esse acordo que foi anunciado é mentiroso!”, afirmou Rubens Bueno. Na visão da oposição, a postura foi combinada com o governo para evitar as convocações de pessoas ligadas a partidos.

Em nota divulgada hoje, o líder do PPS voltou a reclamar da postura de Vital do Rêgo. “Operação desmoraliza a comando da CPMI da Petrobras que se negou a votar convocação de ex-diretor preso nesta sexta-feira pela Polícia Federal. Quero ver o que o presidente e o relator vão falar na próxima semana”, criticou.

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