Após grampo da PF, assessora de Marconi deixa cargo

Segundo a PF, chefe de gabinete do governador de Goiás recebeu de Cachoeira informações sigilosas de investigações policiais. Ela nega relação com contraventor e diz ter sido confundida com homônima

Suspeita de ter ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu exoneração do cargo. Eliane Gonçalves Pinheiro entregou sua carta de demissão ao governador na noite de ontem (4), após ser procurada pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo para explicar sua relação com o homem que é acusado de comandar um esquema de exploração de jogos de azar.

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De acordo com reportagens publicadas hoje pelos dois jornais, a Polícia Federal identificou troca de telefonemas e mensagens entre Eliane e Cachoeira. Segundo relatório da Operação Monte Carlo, o empresário repassou à chefe de gabinete do governador goiano informações sigilosas de ações policiais. Ela também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior por Cachoeira para evitar grampos telefônicos.

Eliane nega ser a pessoa que aparece nas gravações, mas admite conhecer Cachoeira desde 2003. Diz que recebeu o aparelho Nextel não de Cachoeira, mas do ex-vereador Wladimir Garcêz (PSDB), preso pela PF e apontado como um dos principais nomes da organização desbaratada pela Operação Monte Carlo.

Por meio de sua assessoria, Marconi informou que desconhece qualquer relação entre sua chefe de gabinete e Carlinhos Cachoeira. O governador aceitou o pedido de exoneração da assessora.

Na carta de demissão, Eliane afirma que decidiu deixar o governo para não transformá-lo em “alvo de especulações”. Ela diz ter sido tratada de forma “implacável” pela imprensa e que é vítima de um “grande equívoco”.

“Não tenho nada a temer. Injustamente, fui também vítima de um grande equívoco pela coincidência do meu nome com o de uma outra Eliane, que desconheço, e que protagoniza conversas telefônicas grampeadas na investigação. Mas a imprensa foi implacável e de todas as maneiras tentou me envolver, destacando as suas suspeitas em letras garrafais, no alto das páginas, e só corrigindo, após os meus esclarecimentos, em letras miúdas, em um canto qualquer das edições”, escreve.

“Em qualquer país civilizado, somente os tribunais aplicam penas e, mesmo assim, após um processo de apuração de culpas e mediante o exercício do direito de defesa. Esse não me é dado, diante das regras estabelecidas pela histeria coletiva em que se transformam as denúncias em nosso país, nos dias de hoje", acrescenta.

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