Após criticar presidente da Ajufe, Renan brinca com o sobrenome Veloso: “Nunca me dei bem”

Peemedebista reclamou da “pressão” de Roberto Veloso sobre senadores em plenário durante votação de projeto sobre supersalários, prática comum no Judiciário. Mas, ao mencionar sobrenome, relembrou caso extraconjugal com Mônica Veloso, que o tornou réu no STF

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é um dos políticos em atividade mais rejeitados do país e enfrenta uma nova onda de acusações de executivos da Odebrecht sobre recebimento de dinheiro ilícito desviado da Petrobras. Mesmo assim, na condição de protagonista de escândalos de corrupção, o senador ainda encontra ânimo para gracejos em plenário, em meio a votações polêmicas na reta final do ano legislativo e imerso em uma renitente crise política, que contamina toda a cúpula do governo Michel Temer – inclusive o próprio presidente.

Réu e alvo de mais de dez outros processos no Supremo Tribunal Federal (STF), oito deles referentes à Operação Lava Jato, o peemedebista reclamou da “pressão” do presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, sobre senadores em plenário durante votação de um pacote de projetos contra supersalários – prática comum no Judiciário e no Legislativo – aprovado no final da noite desta terça-feira (13). Instantes depois da reprimenda ao magistrado, Renan pediu desculpas pelas palavras e fez uma menção indireta à ex-amante e jornalista Mônica Veloso, com a qual teve uma filha e por causa de quem acabou virando réu no STF.

“Peço até desculpas, também, ao presidente da Ajufe, o Veloso. Eu nunca me dei bem com esse nome, infelizmente...”, lamentou Renan, provocando risos em plenário.

A menção indireta a Mônica Veloso remete à denúncia, em 2007, de que o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, pagava R$ 16,5 mil mensais à jornalista como uma espécie de pensão alimentícia informal. Segundo reportagem da revista Veja, entre 2004 e 2006 a empreiteira recebeu R$ 13,2 milhões em emendas parlamentares do senador destinadas a uma obra – feita pela empresa – no porto de Maceió. O caso levou à renúncia de Renan do comando da Casa, naquele ano, para não enfrentar processo de cassação. E, também graças à relação com a jornalista, o caso se desdobrou em denúncia e, posteriormente, à transformação do parlamentar em réu naquela corte.

Antes da situação jocosa, Renan havia denunciado o que considerou defesa de interessas da magistratura em plena sessão plenário do Senado. “Eu queria, sem interromper o senador Cidinho [PR-MT], só dizer que aquela advertência que eu fiz foi quando o pessoal insistentemente o procurou em nome das entidades [da magistratura]. Eu acho isso um exemplo muito ruim, depois de notas repetidas, no momento em que o Senado se debruça para apreciar essa matéria, que é muito importante, vem a pressão em cima dos senadores para apresentar justamente propostas que pretendem preservar os penduricalhos”, interveio Renan, referindo-se às gratificações e demais verbas extras recebidas por juízes.

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