Andrade Gutierrez pagou R$ 150 milhões em propina de Belo Monte, diz delator

Segundo delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez, o valor foi repassado pelas empreiteiras responsáveis pela obra para as campanhas de PT e PMDB. Apuração é do jornal Folha de S. Paulo

Os executivos da Andrade Gutierrez revelaram em depoimento à Procuradoria-Geral da República que as construtoras responsáveis pela obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte combinaram o pagamento de uma propina de R$ 150 milhões, 1% do valor que elas iriam receber pelos contratos firmados. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a apuração, os recursos seriam pagos ao longo da construção da hidrelétrica e seriam divididos entre PT e PMDB. Cada partido ficaria com R$ 75 milhões. Os recursos foram pagos, segundo relato dos delatores à Procuradoria-Geral da República, em forma de doações legais para as campanhas de 2010, 2012 e 2014.

Os R$ 150 milhões foram divididos entre as empresas de acordo com a participação de cada uma no consórcio construtor da usina Belo Monte. O consórcio é formado por onze empresas, as principais são: Andrade Gutierrez (18%), Odebrecht (16%) e Camargo Corrêa (16%). Os outros 50% é de responsabilidade de oito empresas, algumas sem experiência na construção de hidrelétricas (Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Serveng-Civilsan, Contern, Cetenco, Gaia, Galvão e J.Malucelli).

Segundo o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, a empresa tinha um caixa único, que continha dinheiro legal e também propina de Belo Monte, que foi usado para fazer as doações de campanha, inclusive em 2014, quando a construtora doou R$ 20 milhões para o comitê de campanha da presidente Dilma.

A delação premiada dos ex-executivos e ex-presidente da Andrade Gutierrez ainda não foi homologada. A empreiteira Andrade Gutierrez, segunda maior do país, segundo o ex-presidente, fez doações legais às campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e de seus aliados com dinheiro proveniente de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

Tanto PT, quanto PMDB negaram oficialmente à Folha que as doações recebidas por seus candidatos sejam fruto de acertos ilegais com as empreiteiras. A campanha da presidente Dilma também refuta qualquer irregularidade e diz que todas as contribuições recebidas foram legais.

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