Alvaro Dias defende gás de xisto e assusta PV

Líder do partido na Câmara, Sarney Filho quer moratória para a exploração do minério e pede esclarecimentos do senador

O senador Alvaro Dias (PR), que em janeiro trocou o PSDB pelo PV com a perspectiva de concorrer à Presidência da República em 2018, enfrenta o primeiro constrangimento interno no seu novo partido. Formalizada a nova filiação, no primeiro discurso que fez em plenário como “verde” o parlamentar defendeu a manutenção dos investimentos da Petrobras na subsidiária Petrosix, responsável pela produção de gás de xisto na usina de Irati, em São Mateus do Sul. A produção desse tipo de energia é tudo o que o PV abomina por considerar a atividade excessivamente poluente.

O neoambientalista Alvaro Dias terá que baixar a fervura que causou no PV. O líder do partido na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), tem um projeto de lei apresentado em 2013 propondo a suspensão da exploração do gás de xisto por cinco anos. Ele quer uma moratória na atividade, inclusive com o fechamento da usina defendida por Alvaro Dias. “Essa é uma posição equivocada que precisa ser melhor esclarecida”, disse Sarney Filho ao Congresso em Foco.

A proibição da exploração do gás de xisto no Brasil é meta de todo ambientalista do PV. O tema não consta do estatuto do partido nem do programa da campanha presidencial de 2014, mas a questão é sagrada para os verdes. “A exploração do gás de xisto está associada a graves prejuízos ao meio ambiente e, por isso mesmo, é motivo de severas críticas por parte de órgãos ambientais, cientistas, ambientalistas e ONGs”, escreve Sarney Filho na justificativa do seu projeto.

O PV entende que o método de exploração do xisto, conhecido como fraturamento hidráulico, provoca muita poluição com seus rejeitos. “Há indicações de que o ciclo produtivo de eletricidade com gás de xisto emite grande quantidade de gases de efeito estufa. É preciso agir com cautela”, alerta a Sarney Filho. A direção nacional do PV minimiza a divergência com Dias.

O senador diz não ver problemas na exploração do xisto. Ele argumenta que o fechamento da usina seria um desastre para toda a região sul do Paraná, com reflexos que transcendem as fronteiras estaduais, uma vez que a usina abastece São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dias alega que a tecnologia utilizada em Irati não utiliza o método de fracionamento hidráulico e foi chancelada pelo Instituto de Preservação Ambiental do Paraná.

Hoje a unidade do Paraná gera mais de 3 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, segundo o senador, a usina recolhe R$ 98 milhões em impostos e royalties por ano, o que representa 48% da renda do município. Alvaro Dias lembrou no seu discurso que a atividade da usina tem impacto na vida de 16 mil pessoas, equivalente a mais de um terço da população de São Mateus, com 45 mil habitantes. Em Irati são produzidos cerca de oito mil barris de petróleo de xisto por dia. Dias argumenta ainda que o fechamento da usina provocaria a interrupção do fornecimento de calcário.

Até ser confirmado candidato do PV ao Palácio do Planalto, Dias terá que afinar suas posições com as dos ambientalistas. Os dirigentes da legenda esperavam que a chegada de Alvaro Dias no partido atraísse deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores, pelo menos do Paraná. Mas até agora isso não aconteceu.

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