Alunos deixam de ir à escola por falta de transporte escolar no Piauí

Sem ônibus escolar desde o início do ano letivo, pais e alunos da rede estadual clamam por providências do governo do estado

A falta de providência do estado em relação aos estudantes levou a direção da Escola Malaquias Ribeiro Damasceno a fazer um abaixo-assinado com alunos e pais, desesperados por ver uma das únicas coisas que podem oferecer aos filhos, a educação, não ser alcançada pelo descaso do Estado.

 

“Ando três quilômetros até o ônibus da prefeitura que leva os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nos dá carona. Meu filho Leandro Gomes de Matos, de 17 anos, já desistiu de ir à escola por conta dessa dificuldade”, conta Julia Gomes de Sousa, estudante e mãe de aluno, de Cacimba dos Matos, distante a 16 km da sede do município.

Andrelina Gomes de Sousa, mãe do aluno Caio Levi, de 19 anos, conta que o filho vai de carona. Quando não consegue, não vai à aula, porque não tem mais como pagar o combustível da moto.  “A gente cobra e dizem que vão colocar e nunca acontece, já está no segundo semestre e nada. Não podemos mais pagar combustível e ele já perdeu muitas aulas”, lamenta a mãe, que mora em Angico, distante 16 km da escola.

É comum os estudantes que vão de moto à escola sofrerem acidentes por conta das péssimas condições das estradas. É o caso de uma aluna de Lagoa das Vacas, que, em 28 de agosto, caiu da motocicleta e teve escoriações enquanto pilotava para chegar ao Malaquias Ribeiro Damasceno.

A Escola Malaquias Ribeiro Damasceno, que ficou conhecida após o ex-aluno Sérgio dos Santos Santana ser aprovado em Medicina na Universidade Federal do Piauí (UFPI), carece de sala de leitura, de quadra de esportes, laboratório de ciências e, ultimamente professor de Língua Portuguesa, após a professora dessa disciplina, Cláudia Assis Ribeiro assumir à direção da escola.

“Toda semana cobramos providência da 13ª Gerência Regional de Educação, que fica na cidade vizinha de São Raimundo Nonato, que por sua vez cobra a Seduc. É o que podemos fazer. Lamentamos que os alunos estejam sendo prejudicados e esperamos que logo isso seja resolvido”, disse a diretora.

Prefeitura versus estado

Procurada pela reportagem, a prefeita de São Lourenço, Michelle Oliveira (PP), disse que cobra, constantemente, o governo estadual e que a prefeitura mal consegue manter o transporte escolar da rede municipal.

“O estado é que deveria ajudar os municípios, e não o contrário. Praticamente toda semana cobro a secretária de Educação e seus assessores, mas só desculpas e mais desculpas. Esse problema não é só em São Lourenço, mas em vários municípios da região. O transporte que deveria ser por conta do estado, teoricamente, era para gerar emprego e renda para nosso município, pois o estado teria que contratar motoristas, fato que infelizmente não está ocorrendo e vem prejudicando os alunos e os motoristas que dependem disso para viver”, explicou a prefeita.

Já a secretaria estadual da Educação, que tem como titular Rejane Dias, esposa do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), enviou nota à reportagem informando que o transporte escolar de São Lourenço era de responsabilidade da prefeitura, que rompeu o convênio com o governo ainda no primeiro semestre deste ano, deixando os estudantes sem transporte.

A secretaria alega que fez um termo aditivo ao contrato, que está em análise na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A nota diz que a “Seduc corre contra o tempo” para que tão logo possa regularizar a situação do transporte nos municípios.

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