Aliados defendem Levy e oposição critica ‘estelionato eleitoral’

Confirmação de Joaquim Levy como novo ministro da Fazenda repercutiu no Congresso Nacional. Parlamentares alinhados com o Planalto saíram em defesa do economista. Já oposicionistas acreditam que ele será um ministro para deixar "petistas arrepiados"

A confirmação do economista Joaquim Levy como ministro da Fazenda repercutiu no Congresso nesta quinta-feira (27). Enquanto integrantes da base saíram em defesa do novo membro do primeiro escalão do governo Dilma Rousseff, oposicionistas pediram calma e criticaram a presidenta pela escolha, classificada de "estelionato eleitoral". Levy e Nelson Barbosa, que ocupará o Planejamento, foram anunciados hoje como integrantes do novo ministério, mas ainda não existe data marcada para a posse dos dois. Já Alexandre Tombini continuará no Banco Central.

Para o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), a confirmação de Levy contraria todo o discurso de Dilma durante a campanha eleitoral. Na propaganda política, a petista partiu para cima de Marina Silva (PSB), classificando a ex-senadora como "candidata dos banqueiros" por causa de sua relação próxima com a educadora Neca Setúbal, herdeira do grupo Itaú. Depois, no segundo turno, virou sua artilharia para Aécio Neves (PSDB), que prometera o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga no comando da economia.

"É mais um capítulo da série estelionato eleitoral. A presidente Dilma contraria todo seu discurso de campanha. Dizia que não aumentaria as tarifas de energia e combustíveis e logo após o resultado das urnas, anunciou os reajustes. Também condenou seu adversário Aécio Neves que anunciou um banqueiro, o competente Armínio Fraga, como seu ministro da Fazenda, e traz um executivo do banco Bradesco para assumir a pasta. Levy será um ministro claramente ortodoxo deixando os petistas arrepiados”, afirmou.

Já o líder da minoria no Congresso, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), preferiu a ironia ao comentar sobre a indicação de Levy. "Foi-se a 'Viúva Porcina' da Fazenda, aquela que foi sem nunca ter sido, e veio o banqueiro", disse, fazendo referência à personagem interpretada pela atriz Regina Duarte na novela Roque Santeiro, da TV Globo. "Falou na campanha que os banqueiros iriam tirar o alimento da mesa do trabalhador e, menos de um mês após eleita, nomeia um banqueiro", completou.

Contraponto

Senadora e ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman usou a tribuna do Senado para rebater as críticas à escolha de Dilma. Para ela, Levy não pode ser tratado como alguém estranho ao governo do PT por ter sido secretário do Tesouro durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula. "Não estamos trazendo uma pessoa que não participou desse processo de conquistas, que não deu condições para que avançássemos. O ministro Levy é uma pessoa séria, capacitada, firme, rigorosa com as contas públicas, mas acaba de anunciar que jamais vai fazer um pacote, e tem sensibilidade com o social", discursou.

"Eu também acho despropositado, primeiro, a oposição, que não ganhou eleição, querer nomear ministros. Altamente despropositado. Segundo, vir aqui dizer que a Presidenta, ao nomear seus ministros da área econômica, está fazendo estelionato eleitoral. Um verdadeiro absurdo!", comentou.

Já a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, usou o Twitter para elogiar os ministros que saem, Guido Mantega e Miriam Belchior, e desejou bom trabalho aos indicados hoje. "Boa afirmação da nova área econômica: o equilíbrio econômico serve ao interesse social. O crescimento maior importa para mais políticas públicas."

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