Aliados de Cunha falsificam assinatura para tentar travar Conselho, diz jornal

Deputado Vinícius Gurgel (PR-AP) justifica que a assinatura teve falhas porque ele estava de "ressaca" quando assinou a renúncia de sua cadeira no Conselho de Ética para dar lugar a outro aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha

Para tentar travar o processo de cassação contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, aliados do presidente da Casa falsificaram a assinatura do deputado Vinícius Gurgel (PR-AP) na carta em que ele renuncia à sua cadeira no Conselho. É o que mostra a apuração do jornal Folha de S. Paulo, que atestou as falhas na assinatura com dois laudos grafotécnicos. Os peritos Orlando Garcia e Marina Regina Hellmeister asseguraram ao jornal que a assinatura do deputado no documento é uma falsificação "grosseira" e "primária".

 

Gurgel afirma que as falhas apontadas pelos peritos podem ter acontecido porque ele assinou os documentos de "ressaca". Segundo o parlamentar, sua intenção era mesmo de renunciar ao posto. "Se eu assinei com pressa, se eu estava de porre, se eu estava de ressaca, assinei com letra diferente, não vou ficar me batendo por isso", explicou.

O deputado justificou que "quando a pessoa está de ressaca, não escreve do mesmo jeito, fica tremendo, acho que tinha bebido um dia antes, assinei com pressa no aeroporto, pode não ter sido igual, rabisquei lá".

Gurgel é aliado de Cunha e não estava em Brasília na noite de 1º de março, quando o Conselho de Ética decidiu por 11 votos a 10 dar sequência ao processo de cassação de Eduardo Cunha. Os deputados ligados ao presidente da Casa, queriam evitar que o suplente de Gurgel, um deputado do PT contrário a Cunha, votasse na Comissão. Com a renúncia de Gurgel, o PR indicou o líder da bancada, Maurício Quintella Lessa (AL), que votou a favor de Cunha.

A Folha ressalta ainda a forma atípica com que foi conduzida a sessão. Eduardo Cunha estendeu até às 23h os trabalhos no Plenário da Câmara, mesmo com apenas dez aliados presentes. O objetivo era atrasar a votação no Conselho de Ética, que só pode começar após o encerramento das atividades no plenário. O tempo, segundo a Folha, foi usado para que a operação para troca de Gurgel fosse concluída.

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