Agnelo nega nomeações no GDF a pedido de Cachoeira

Em depoimento na CPI, governador rejeita que nomeação de diretor do órgão responsável pela coleta do lixo tenha sido sugerida pelo contraventor

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), afirmou não ter aceitado indicações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para preencher vagas no governo distrital. Uma das suspeitas contra o petista é que o delegado João Monteiro, atual presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), tenha assumido o cargo após pedido do bicheiro. Agnelo presta depoimento à CPI desde às 10h45 desta quarta-feira (13).

Respondendo às perguntas do relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), Agnelo disse também que mantém a confiança em seu ex-chefe de gabinete e ex-secretário-executivo do comitê da Copa do Mundo de 2014, Cláudio Monteiro. Em abril, o assessor pediu demissão do cargo, quando seu nome foi citado em gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal como suposto colaborador do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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"Indiquei o João Monteiro justamente por ele não ter absolutamente nada a ver com esse grupo", explicou Agnelo. A Delta tem um contrato de prestação de serviço para o recolhimento de lixo na capital do país. O petista explicou que a empresa atua em duas das três regiões do Distrito Federal. Apesar de dizer que tem confiança na inocência de Monteiro, o delegado da Polícia Civil do DF foi exonerado do cargo em abril.

Na semana passada, o GDF suspendeu o contrato da Delta com o SLU. A recisão do contrato ocorreu depois que o Tribunal de Justiça do DF (TJDF) declarou a empresa inabilitada para a prestação do serviço de coleta do lixo. A Delta tem até sexta-feira (15) para cumprir a determinação. Assumem o serviço as empresas Qualix e Valor Ambiental.

Propina

A conversa revelada pela PF mostrava Monteiro conversando com o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu e com Idalberto Matias, o Dadá, araponga do grupo. Os três acertavam um pagamento de propina a Monteiro para indicação de um nome de interesse do grupo de Cachoeira para dirigir o Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU). "Eu perguntei a ele [Cláudio Monteiro] que me garantiu que não aconteceu nada disso. Não teve repasse e nem interceptações", disse Agnelo. O ex-assessor já foi convocado para depor na CPI, mas ainda não há data confirmada.

Odair Cunha questionou o governador sobre a suspeita de que Cláudio Monteiro teria ganhado uma rádio Nextel de Dadá ou de Cláudio Abreu. O aparelho é o mesmo que foi dado a outros integrantes do grupo e também ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Agnelo contou que converou com seu ex-assessor que garantiu não ter recebido nenhum rádio do grupo. "Eu confio na palavra dele porque ele não foi pego em nenhum grampo. Se ele tivesse rádio, também teria caído nos grampos, como os outros", disse. O governador disse ainda que há uma investigação em curso no GDF para apurar a conduta de Cláudio Monteiro.

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