Agenda de Cardozo omite compromissos oficiais, diz jornal

Segundo levantamento da Folha, o site do Ministério da Justiça deixou de informar o que o ministro fez em 80 dos 217 dias de trabalho que ele teve desde o início da Lava Jato. Ministro havia dito que todos os seus compromissos eram divulgados na internet

Levantamento feito pela Folha de S. Paulo revela que boa parte da agenda oficial do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não foi divulgada na internet, ao contrário do que ele disse inicialmente. Desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada, em 17 de março de 2014, o site do ministério deixou de informar os compromissos do ministro em 80 de seus 217 dias de trabalho. Nesse período, não é possível saber onde ele esteve nem com quem se reuniu.

Cardozo virou alvo de polêmica nos últimos dias, após reportagens que mostraram que ele recebeu advogados de empreiteiras acusadas de participação no esquema desvendado pela Operação Lava Jato. Em resposta divulgada por sua assessoria na sexta-feira (13), informou que todas as suas atividades eram registradas na agenda oficial. Agora, o Ministério da Justiça atribui a não divulgação completa dos compromissos do ministro a um “problema de TI (tecnologia da informação)”.

Segundo a Folha, apenas três encontros do ministro com advogados foram registrados desde março do ano passado. O mais recente deles, no último dia 5, quando recebeu três defensores que trabalham para a Odebrecht, de acordo com o jornal O Globo.

Ontem o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa defendeu, no Twitter, que a presidenta Dilma demita imediatamente o ministro. “Reflita: você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz,  você vai recorrer à política?”, questionou o ex-ministro do Supremo.

O ministro da Justiça, ao qual a Polícia Federal está subordinada, alega que advogados têm o direito assegurado em lei de serem recebidos por autoridades públicas. Reportagens da Folha de S. Paulo e da Veja relataram que Cardozo teve conversas com representantes da UTC e da Camargo Corrêa, que, assim, como a Odebrecht, estão na mira da Operação Lava Jato. Essas duas conversas não constam da agenda oficial. Apenas no caso da Odebrecht, o petista admitiu ter conversado sobre a operação da Polícia Federal.

Leia a reportagem da Folha de S.Paulo

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