“Agenda das gerações de FHC e de Lula acabou”

Após se destacar na análise das manifestações de junho, o pesquisador Fábio Malini revela à Revista Congresso em Foco suas impressões sobre o Brasil que está se formando a partir da rede e das ruas

Em meio à abundância de cientistas sociais, analistas improvisados e "especialistas" de ocasião convocados às pressas para explicar as manifestações de junho e seus efeitos, brilhou forte a estrela do pesquisador e professor Fábio Malini. Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele dedica a maior parte do seu tempo ao Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), instituição onde também leciona.

No Labic, hoje um centro de vanguarda dos estudos de cultura digital no país, Malini, 36 anos, tem radiografado aquilo que as pessoas falam na internet, principalmente em mídias sociais como o Twitter e o Facebook, com o objetivo de compreender as relações entre as redes e as ruas e o impacto que elas podem ter no Brasil.

Em um de seus estudos recentes, após examinar 170 mil tweets com a palavra Dilma, concluiu que a bipolaridade PT x PSDB não é mais predominante no conjunto de percepções e opiniões expressos pela sociedade no campo político. Antes, demonstrou com humor e precisão cirúrgica como a pauta original das manifestações ocorridas em São Paulo contra o aumento da passagem de ônibus deu lugar a múltiplas reivindicações (confira aqui).

Em entrevista à Revista Congresso em Foco, Fábio Malini usou seus achados científicos e a inquietação própria do intelectual que gosta de trabalhar com um pé na academia e o outro na rua para traçar um painel muito peculiar deste Brasil que brotou do asfalto e hoje desafia, talvez mais que nunca, a nossa capacidade de compreensão. A íntegra da entrevista está disponível para assinantes da revista e do UOL. Aqui vão algumas das suas principais afirmações:

“Desde os anos 90 duas gerações chegaram ao poder, e imprimiram pautas com vários pontos fortes, mas também com alguns pontos frágeis. A agenda dessas gerações acabou”, disse, referindo-se às gerações de Lula e Fernando Henrique.

“Esse movimento destruiu por completo todo um conjunto de alianças e definições políticas, tanto no plano federal quanto local e estadual” .

“O discurso do vandalismo produz o medo e afasta muitas pessoas das ruas. Mas contribuiu para a legitimação dos grupos mais radicais dentro das manifestações”.

“As manifestações trouxeram pautas que não estavam nem nos dois polos políticos principais nem em partido nenhum”.

“A Marina foi pega de calça curta. Ela também não tem pauta. Qual é a pauta da Marina? É fazer o seu partido acontecer”.

“Muitas pessoas hoje querem mais da mídia. Há uma dificuldade dos veículos tradicionais de entenderem a demanda política e social dos protestos”.

“Políticos tradicionais talvez não tenham entendido que esse sentimento contra a corrupção une as pessoas de todos os matizes e orientações ideológicas”.

“A gente tem que reinventar o Brasil. Talvez este venha a ser o elemento decisivo nas eleições: quem terá mais capacidade para conduzir, junto com a sociedade, o processo em que começaremos a reinventar o país”.

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